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quinta-feira, dezembro 11, 2014

O bom e o mau da fita

Até agora, no tocante ao BES, havia o "banco bom" e o "banco mau". Hoje, ao ler com calma toda a nossa imprensa, numa espera longa de aeroporto, dei-me conta de que já está definido o Espírito Santo "bom" (Ricciardi) e o ES "mau" (Salgado).

O mundo anseia por explicações fáceis, adotando as que se adequam às ideias pré-concebidas (os franceses utilizam o conceito de "idées reçues", o que indica melhor que alguém as enviou). Não tivesse Ricciardi, para além do sorriso nervoso, um toque de arrogância de classe que facilmente o aproxima do primo (embora sem o inigualável "stiff upper lip" deste), estaria criado um "bom da fita". Os poderes de turno preferem Ricciardi, o "arrependido", que defende o regulador, que denuncia quem já é tido como o "CDT" (culpado disto tudo). E ainda não chegou o "contabilista do Luxemburgo", um conceito que soa a título de Le Carré...

Não tenho a certeza de que esta personalização da culpa ajude muito a desenrolar o novelo BES. Mas esperemos.

Outros tempos