Durante os últimos cinco anos, Vital Moreira, deputado ao Parlamento Europeu, presidiu à Comissão de Comércio Internacional daquela instituição. Um pouco por todo o lado, ouvi elogios ao seu trabalho, ao prestígio que Portugal ganhou através da sua ação, muito em especial na condução do processo relativo à preparação da Parceria Transatlântica para o Comércio e Investimento.
O país não se terá ainda dado conta de que essa Parceria, cuja negociação se iniciará em breve, pode configurar uma radical mudança no panorama da relação entre a União Europeia e os Estados Unidos. No que nos respeita, terá consequências da maior monta no perfil das nossas exportações e, ao mesmo tempo, pode garantir-nos um papel-chave na futura entrada na UE de gaz proveniente dos EUA (produzido a menos 30%), a somar-se às consequências positivas de uma mais intensa utilização do porto de Sines, por virtude da duplicação do Canal do Panamá.
Por todas essas razões, para a política externa de um país como Portugal, a Comissão de Comércio Internacional do PE constitui um lugar essencial para tentar controlar o futuro processo negocial e nele projetar os nossos interesses nacionais, que são de monta, como o evidenciará um estudo de uma entidade de grande qualidade, que daqui a semanas vai ser divulgado.
Vital Moreira abandonou entretanto o Parlamento Europeu, no quadro das mudanças que o PS decidiu introduzir na sua lista de deputados. Sabem o que aconteceu à representação portuguesa na Comissão de Comércio Internacional? Desapareceu... Nenhum dos atuais deputados portugueses faz dela parte, distribuindo-se por outras comissões, algumas das quais de duvidosa pertinência para os nossos interesses. Desconheço como decorreu o processo negocial de distribuição dos deputados pelas comissões parlamentares, mas uma coisa tenho por certa: iniciámos este "jogo" com um resultado negativo. Como se diz na minha terra, PS e PSD, os dois partidos que integram as formações políticas mais relevantes no PE, bem podem "limpar as mãos à parede" por este "lindo serviço" que prestaram à defesa dos interesses nacionais. E já notaram que ninguém fala disto na nossa comunicação social?
