Era uma miúda creio que com menos de 10 anos. Estava sentada com os pais, a olhar a televisão, a ver algumas imagens da etapa da Volta a França, num café de Vila Pouca de Aguiar, hoje, depois do almoço.
- É na França, disse a mãe.
- E lá não há obras?
- Obras? Claro que há obras!, foi a resposta do pai, em tom irritado, sem tirar os olhos do plasma e a mão da Super Bock.
A miúda calou-se. Mas eu percebi bem o que ela queria dizer.
Gosto imenso de ver as reportagens televisivas do "Tour", cada vez mais bem realizadas. E há anos que me delicio com os panoramas soberbos que temos o privilégio de observar, com as bermas bem arranjadas, com os campos alinhados, com os muros impecáveis e, em especial, sem os estaleiros eternos de obras, que fazem parte do cenário calisto deste nosso país.
Por lá, por França, apeteceu-me dizer à miúda, também há obras, mas há o cuidado - melhor, a obrigação - de as disfarçar, porque o culto da paisagem faz parte da preservação da qualidade de vida de um país que sabe que ganhar o olhar admirativo dos outros é a condição essencial para continuar a ser o maior cativador de turistas de todo o mundo.
Por lá, por França, apeteceu-me dizer à miúda, também há obras, mas há o cuidado - melhor, a obrigação - de as disfarçar, porque o culto da paisagem faz parte da preservação da qualidade de vida de um país que sabe que ganhar o olhar admirativo dos outros é a condição essencial para continuar a ser o maior cativador de turistas de todo o mundo.
