terça-feira, junho 10, 2014

Desmaios (2)

O debate que se instalou, nas últimas horas, sobre a questão da publicitação das imagens do desmaio do chefe de Estado não é de todo ocioso. É importante que, a propósito deste "cas de figure", como dizem os franceses, se discuta abertamente o tema da privacidade, até para deixar de fora desta aquilo que realmente deve ser aberto ao acesso do público, identificando o que deve permanecer no domínio do reservado.

Não sou um especialista na matéria, razão pela qual tenho apenas a opinião de um simples leigo, que vale assim tanto como qualquer outra. Essa opinião, ditada apenas pelo meu bom senso (que admito que pode ser mau), diz-me que, tendo as imagens sido colhidas numa cerimónia pública, à vista de toda a gente, não deve haver o menor impedimento à livre circulação do filme do que aconteceu. Já não digo o mesmo sobre o "direito" de acesso dos jornalistas ao curso dos cuidados médicos que foram prestados ao professor Cavaco Silva por detrás da tribuna: era o que mais faltava! E fez muito bem a segurança ao tê-los impedido de se aproximarem. De qualquer forma, é importante que se diga que o episódio, que não é nada degradante nem humilhante para a pessoa do chefe de Estado e é em tudo natural na vida de qualquer cidadão, foi uma ocorrência que só não foi banal porque o seu titular é quem é e teve lugar num momento de grande visibilidade. Entendo que ninguém tem o direito de procurar esconder os factos que se passaram à vista de todos, numa situação em que a simpatia das pessoas de boa fé esteve, quero crer, com o professor Cavaco Silva. Pelo menos, esse foi o meu caso. 

10 comentários:

  1. Anónimo17:49

    Antes desmaiar de vergonha do que morrer da mesma, depois de 8 anos como PR em que não previu nem resolveu nada. Votos de bom restabelecimento, se possível com uma demissão do lugar para potenciar o tratamento.

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  2. Já me aconteceu o mesmo numa cerimónia pública. E na presença de Cavaco. Como sempre, nestas ocasiões, houve pessoas, animais e bestas...

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  3. Paulo Pinto18:31

    Correto. Já isto merece-me a maior apreensão: "Os seguranças impediram qualquer aproximação e mandaram mesmo apagar as fotografias a alguns fotógrafos que estavam mais perto no local onde o Presidente foi assistido." (http://www.publico.pt/politica/noticia/cavaco-silva-sentese-mal-durante-discurso-do-10-de-junho-1639378?page=1#follow). Os seguranças "mandam" nos jornalistas? E nenhum se recusou?

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  4. De facto a notícia deste caso não lisonjeia um diplomata.

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  5. Esperando sinceramente que nada seja de grave, tenho a impressão de que o senhor não aguentou o ter saído da hibernação em que tem permanecido ao longo de meses.

    Os meus respeitos.

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  6. Anónimo19:55

    Comentário cheio de "bom senso" no que eu entendo por ele.
    João Vieira

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  7. no noticiero da tve deram hoje uma noticia sobre portugal, a do desmaio do pr, só isto com as imagens do sucedido, 15 segundos sobre portugal, logo a seguir uma noticia mais longa, a da publicação das memórias de hilary clinton com declarações dela sobre ela e clinton, nomeadamente que tinham saido da casa branca com 5 milhões de dividas e sobre uma eventual candidatura dela à presidencia, pois sim, as imagens do desfalecimento do pr, agora e em 1995, podem ser transmitidas e repetidas, como se diz a cerimonia foi publica, nada impede e não há censura.
    um curto boletim medico mais tarde não estaria mal.

    cada um reage aos seus malestares à sua maneira, mas o pr podia talvez ter feito um comentário no regresso à tribuna, desculpem esta interrupção, tudo passou, sinto me bem, vamos continuar.
    mas como fez está igualmente correcto, nada referir e continuar com voz firme.
    em 1995 pronunciou se e deu uma explicação, mas as circunstancias eram diferentes, ele não estava a discursar.

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  8. Obviamente que temos que respeitar o presidente da República, mesmo que ele não seja o nosso Presidente.
    Cavaco Silva morreu há muito. Foi um flop em que muita gente séria acreditou; mas é, para todos os que querem que Portugal se eternize, uma figura sem lugar na História. Uma tristeza.

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  9. Anónimo10:30

    É muito claro para mim que quem não tem malvadez não se vai regozijar com a desgraça dos outros. Também não me iria regozijar se o nosso Presidente da Republica fizesse como o francês Jean-Baptiste Poclain. Mas este era um verdadeiro actor. E cómico!
    José Barros.

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  10. Anónimo12:12

    Caro anónimo das 17h49:
    desculpe contradizê-lo, mas prever, previu tudo, ou quase tudo e resolver o que estava dependente dele e apenas dele, também resolveu. O que dependia do entendimento de outrem, tentou resolver e não resolveu.
    Mas aí, caro anónimo, a culpa deve ser assacada a quem de direito. O que sobra em sentido de Estado ao nosso PR é o que falta a muitos dos nossos outros políticos.

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