Decididamente, o país mudou. Durante estes últimos três anos, a conversa entre amigos passava-se entre a "heróica" minoria que defendia a chamada maioria (as eleições provaram que a maioria "já vai" em 28%) e os que não gostavam de Passos Coelho, Paulo Portas "y sus muchachos" - sendo que, dentre estes últimos, tenho amigos e familiares que oscilam entre os que acham que "isto só lá vai à bomba" e alguns, os mais complacentes, que estão apenas "descontentes". Parte destes, não querendo votar socialista ou na atomização anti-governo, passaram-se para a cómoda abstenção.
Desde há duas semanas que o país discussante se alterou. Agora, parece que as pessoas alinham todas as suas opiniões em favor de Seguro ou de Costa. De súbito - terá sido efeito da possibilidade de voto aberta pelas "primárias"? - não há bicho careta, por mais "reaça" ou "comuna" que seja, que não se ache no direito de "amandar bocas" sobre a crise interna do PS, tomando "partido" ou, mais modestamente, alinhando palpites sobre o saldo que resultará do debate. Os mesmos que, há semanas, enchiam a boca com o "programa cautelar" ou a "saída limpa", já só falam, com uma desenvoltura "xuxa", sobre a importância de haver "congresso+diretas" ou as "primárias". E têm opinião!
Quase que comove ver o país tão preocupado com a escolha para o Rato. Receio apenas que isto possa acabar num relativo "esquecimento" de Passos Coelho. Seria uma injustiça se isso acontecesse.