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domingo, junho 01, 2014

Auguinha


A janela é da antiga prisão de Caminha. Passei por lá ontem e lembrei-me de uma história que o meu pai evocava, dos tempos em por aquela terra trabalhou, vai quase para nove décadas.

Na então vila de Caminha, havia um pobre diabo, daqueles que era (e infelizmente é) muito comum encontrar em todas as localidades: um pouco atrasado de espírito, fazia recados, vivia de expedientes e, não raramente, era alvo fácil da chacota popular. Perdi-lhe o nome, que o meu pai referia quando contava o que se segue.

A gandulagem da cidade nem sempre se portava bem, "metia a unha" ou armava rixas, pelo que, de quando em vez, ia parar aos calabouços, que tinham esta janela para a rua. Porque o serviço "hoteleiro" da prisão não era estrelado, através das grades pediam água a quem passava. A tal figura popular, chamada a ajudar, apiedava-se deles e lá ia procurar com que lhes matar a sede.

A gratidão não era, contudo, a melhor das qualidades desse pessoal. Quando se viam cá fora, em lugar de premiar aquele que os ajudava em momentos menos fáceis, voltavam à gozação ao homem, achincalhavam-no e riam-se dele. O tal pobre diabo reagia então, avisando de que, no futuro, se tivessem problemas, não poderiam voltar a contar com ele, dizendo: "Hádes querer auguinha!"

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