O interminável desfile das marchas populares de Lisboa, coisa que nunca consegui ter a menor paciência para ver e ouvir, é, no entanto, o único grande espetáculo, simultaneamente público e gratuito, da capital, com uma constante e assinalável adesão popular. Não sei como as coisas se passam nos dias de hoje, mas tempos houve em que o despique entre os bairros era ferocíssimo.
Um dia, nos últimos anos da ditadura, a conflitualidade chegou a um ponto tal que a Câmara Municipal, pela mão do vereador Leopoldo Nunes, decidiu suspender por algum tempo o tradicional desfile das marchas e o concurso entre os bairros. O mais curioso foi a justificação dada: o despique estaria a fomentar atividades "subversivas" no seio dos grupos. A paranóia do regime via comunismo por todas as esquinas. Recordo-me como, à época, alguns de nós nos divertíamos a comentar que a PIDE se dedicava a um novo e original combate ao "marchismo"...

O chamado "marchiismo-leninismo"...
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ResponderEliminaré de admirar que ainda se mantenha um espetáculo do povo, onde as pessoas dos bairros treinam as suas coreografias para criar o espetáculo
Hoje, parece que vai haver um "redesfile" por uma das marchas que se acha injustiçada. Também nestas coisas, o árbitro é ladrão.
ResponderEliminarNunca fui. Nunca assisti. Mas julgo que o defeito é meu, talvez demasiado elitista para tais festividades. Mea culpa!
ResponderEliminarO que lhe faz falta, no fundo da sua alma, é o "Estado Novo".
ResponderEliminarAlexandre
havia um conhecido comentador tauromáquico na radio e tv chamado leopoldo nunes, seria tambem o tal vereador?
ResponderEliminarmarchas e...lá vai lisboa, etc
Leopoldo Nunes lá teria as suas razões... Li alguns livros proibidos pela pide, em que me interroguei porquê a ordem de apreensão. É que, em alguns deles, era difícil encontrar motivos suficientes para o efeito.
ResponderEliminarCaro Alexandre: eu adoro revisitar os seus clássicos
ResponderEliminarCaro Patrício Branco: era esse mesmo
ResponderEliminarGosto de festas, feiras, feirantes, ciganada, ajuntamentos. Andar por lá! A confusão fascina.
ResponderEliminarMas há uma coisa com que o 25 de abril não acabou: a burrice!
antonio pa