sexta-feira, junho 13, 2014

Marchistas

O interminável desfile das marchas populares de Lisboa, coisa que nunca consegui ter a menor paciência para ver e ouvir, é, no entanto, o único grande espetáculo, simultaneamente público e gratuito, da capital, com uma constante e assinalável adesão popular. Não sei como as coisas se passam nos dias de hoje, mas tempos houve em que o despique entre os bairros era ferocíssimo. 

Um dia, nos últimos anos da ditadura, a conflitualidade chegou a um ponto tal que a Câmara Municipal, pela mão do vereador Leopoldo Nunes, decidiu suspender por algum tempo o tradicional desfile das marchas e o concurso entre os bairros. O mais curioso foi a justificação dada: o despique estaria a fomentar atividades "subversivas" no seio dos grupos. A paranóia do regime via comunismo por todas as esquinas. Recordo-me como, à época, alguns de nós nos divertíamos a comentar que a PIDE se dedicava a um novo e original combate ao "marchismo"...

10 comentários:

  1. Anónimo04:09

    O chamado "marchiismo-leninismo"...

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  2. é de admirar que ainda se mantenha um espetáculo do povo, onde as pessoas dos bairros treinam as suas coreografias para criar o espetáculo

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  3. Anónimo10:50

    Hoje, parece que vai haver um "redesfile" por uma das marchas que se acha injustiçada. Também nestas coisas, o árbitro é ladrão.

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  4. Nunca fui. Nunca assisti. Mas julgo que o defeito é meu, talvez demasiado elitista para tais festividades. Mea culpa!

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  5. Anónimo12:04

    O que lhe faz falta, no fundo da sua alma, é o "Estado Novo".

    Alexandre

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  6. havia um conhecido comentador tauromáquico na radio e tv chamado leopoldo nunes, seria tambem o tal vereador?
    marchas e...lá vai lisboa, etc

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  7. Anónimo15:58

    Leopoldo Nunes lá teria as suas razões... Li alguns livros proibidos pela pide, em que me interroguei porquê a ordem de apreensão. É que, em alguns deles, era difícil encontrar motivos suficientes para o efeito.

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  8. Caro Alexandre: eu adoro revisitar os seus clássicos

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  9. Caro Patrício Branco: era esse mesmo

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  10. Anónimo18:56

    Gosto de festas, feiras, feirantes, ciganada, ajuntamentos. Andar por lá! A confusão fascina.
    Mas há uma coisa com que o 25 de abril não acabou: a burrice!
    antonio pa

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