Seguidores

Se quiser ser informado sobre os novos textos publicados no blogue, coloque o seu email

sábado, junho 14, 2014

Futebol e paixão

Na noite de Santo António, optei por ir jantar com amigos, passear nessa jornada única no ano, pelas ruas de Alfama. Assim, não assisti, em direto, à abertura do campeonato do mundo de futebol. Verdade seja que só na manhã desse mesmo dia me havia dado conta de que o campeonato se iniciava nessa noite. Sabedores disso, alguns amigos brasileiros comentaram negativamente esta minha atitude, como se ela colocasse em causa a minha amizade pelo Brasil. Era o que mais faltava!

Gosto muito de futebol, como julgo que por aqui tem sido revelado, nesse campo tenho uma "paixão irónica" pelo meu clube e, naturalmente, sinto um grande gosto quando a nossa seleção vence. Mas, em geral, não fico "doente" quando ela perde, mesmo que injustamente. Estou longe de ser um fanático. Por exemplo, olhando para a minha agenda, já reparei que vou perder a transmissão direta de dois dos próximos jogos da nossa seleção, porque tenho outros compromissos simultâneos. Mas isso não me angustia minimamente: verei mais tarde a repetição dos jogos. E chega-me!

Entendo e respeito o sentimento de adesão patriótica que um campeonato internacional pode suscitar. No caso do Brasil, dessa "pátria em chuteiras", como escrevia Nelson Rodrigues, o futebol tem, de há muito, uma relação muito íntima com o sentimento profundo dos seus nacionais, que sofrem com a sorte do "time" nacional, como se o destino e o prestígio do país dependessem de um golo ou da prestação de um "craque". É bonito de ver e é uma expressão magnífica dessa forma de estar única que é a "brasilidade".

No nosso caso, de Eusébio a Ronaldo, passando por Figo, temos vindo a criar um entusiasmo crescente face à seleção, à medida que esta passou a obter mais vitórias do que desenlaces menos felizes, o que não era a regra do passado. Por cá, nestes tempos de défice, a nossa seleção é, para muitos, o superávite possível do orgulho nacional. E não devemos desprezar o efeito de estímulo à autoestima que as vitórias desportivas podem representar para o país: hoje é a seleção de futebol, como no passado foi o óquei em patins, como foram os tempos áureos de Joaquim Agostinho nos "tours" ou de Carlos Lopes e Rosa Mota no atletismo.

Dentro de mim, contudo, as coisas estão, desde sempre, muito claras: o desporto tem a sua graça, pode ser pontualmente emotivo, mas serve apenas para me divertir, nunca para me angustiar. As coisas que tenho por importantes na minha vida não passam por "futebóis".

Seguidores

Quem quiser receber os post publicados neste blogue basta inserir o seu email onde, em cima, figura a palavra "seguir".