No início da minha intervenção, deixei claro que vinha "de outra freguesia", mas isso não diminuiu o grande gosto que tive em participar em mais uma iniciativa da Comissão Nacional Justiça e Paz, que hoje teve lugar na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. O convite foi-me formulado pelo professor Alfredo Bruto da Costa, uma figura por quem tenho grande admiração, pela sua persistente luta em favor daqueles que a sorte esqueceu.
O tema do encontro era "Portugal - o país que queremos ser", mas a mim coube-me, num "mano-a-mano" com o meu amigo Guilherme Oliveira Martins, trabalhar de forma crítica e prospetiva o documento "Para uma reforma do sistema financeiro e monetário internacional na perspetiva de uma autoridade pública de competência universal". Trata-se de um interessante texto que, apoiado em algumas Encíclicas, interpela os cidadãos e os Estados, lançando desafios ao mundo multilateral. O debate que se seguiu foi muito enriquecedor e, como não podia deixar de ser, cruzou a doutrina social da Igreja com a política europeia e algumas temáticas do quotidiano nacional.
Na minha intervenção, procurei sublinhar os aspetos mais relevantes das propostas contidas no texto e julgar da sua compatibilidade realista com os modelos multilaterais relevantes, desde a ONU à OMC, das questões ambientais globais à reforma do sistema de Bretton Woods.
E, de passagem, porque o documento, que tem origem no Vaticano, é impiedoso para as derivas liberais, não deixei de notar a estranha circunstância de ser da Universidade Católica Portuguesa que emana a mais radical produção neoliberal que por aí anda, ao que parece, como fiz questão de dizer, bem menos preocupada com a pauperização da sociedade do que com a promoção da "popperização" das almas.
