Francisco Louçã deixou a liderança do Bloco de Esquerda. Ao longo de cerca de 13 anos, ele foi a cara do Bloco, formação que ganhou muito com o seu brilho intelectual e que, igualmente, acabou por ter uma avaliação pública, nomeadamente em termos de sufrágios, que ficou muito tributária do modo como o país o foi apreciando como figura política.
Acompanho, desde há muito, o percurso político de Francisco Louçã, pessoa por quem tenho estima e consideração pessoal. Com ele troquei por diversas vezes ideias sobre a Europa, cuja evolução, há vários anos, a ambos nos preocupa. Já na política doméstica saudavelmente divergimos no desenho das soluções de futuro. Isso não me impede, contudo, de considerar que, em termos objetivos, com a sua saída da cena parlamentar, a nossa Assembleia da República perdeu um dos mais bem preparados tribunos.
