sábado, 6 de fevereiro de 2016

É isto, não é?

Ao ouvir, nas últimas horas, a maioria dos acabrunhados comentadores económicos e figuras dos partidos à direita - e não vale a pena procurar dissonâncias entre eles, porque as não encontraremos nunca - cheguei à seguinte conclusão: este governo de esquerda é acusado pela direita de, nas negociações em Bruxelas, não ter sido suficientemente "de esquerda", por ter aceitado alguma austeridade, a qual, contudo, acaba por ser bem menor do que aquela que um governo de direita teria aprovado - presume-se que de muito bom grado e em total sintonia com a Comissão europeia.

É isto, não é?

9 comentários:

Anónimo disse...

A MIM PARECE-ME QUE SIM

Anónimo disse...

Exactamente.

JPGarcia

Anónimo disse...

É mesmo isso, sr. Embaixador!:)

Arber disse...

Sem dúvida, Sr. Embaixador.

E não resisto a deixar aqui alguns exemplos da vergonhosa reacção que pudemos ouvir e ler, ontem e hoje.
Ontem, na SIC-Notícias, um fulano com ar "esgazeado", de nome Tiago qualquer coisa, fiscalista(?!) e frequente comentador, bramava que não entendia como é que o Governo dizia querer aumentar o consumo e "aumenta o tabaco...aumenta os veículos...aumenta o crédito ao consumo...os pagamentos com cartão de crédito...?!" Tão desvairado estava o pobre, que nem percebia as enormes asneiras que estava a bolsar.

Hoje, títulos dos jornais:
- Correio da Manhã - "Carros, tabaco e álcool com subida brutal de impostos".
- I - "Colossal aumento de impostos sai do IRS e vai para os condutores.
Imposto único de circulação, imposto automóvel e combustíveis disparam".

Barbaridades fiscais do Governo de António Costa, pois claro, que com este brutal aumento de encargos automóveis vai impossibilitar muita gente de comprar o seu novo carrinho ou mesmo de pagar o IUC do actual.
Senão vejamos os dados adiantados pela ANECRA, a associação do sector:
- O Imposto Único de Circulação (IUC) aumenta 0,5% em 2016 em todos os automóveis;
- Exemplos - Citroen C1, de 98,80€ para 99,29€ (+ 0,49€).
Audi S8, de 660,45€ para 663,75€ (+ 3,30€).

Quanto ao ISV, aumentos variáveis, mas há um que é brutal e colossalmente elevado, que a ANECRA também refere nos exemplos - "...Land Rover Defender 110, uma vez que em 2015 pagava cerca de 38.780 euros de ISV e em 2016 passará a pagar 45.866 euros, um acréscimo de mais de 7.000 euros..." (cf.http://www.tvi24.iol.pt/economia/oe2016/comprar-um-carro-este-ano-vai-sair-mais-caro).

Ora, por tudo isto, não admira o título do "Inimigo Público" de hoje: "Orçamento passa em Bruxelas e lança dezenas de comentadores numa depressão profunda".

Anónimo disse...

peço desculpa

mas nao posso deixar de notar que um dos jornais para os quais escreve ainda ha poucos dias tinha esta noticia de louva-a-deus

http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/desporto/detalhe/o_remate_empresarial_de_veiga.html

....curioso nao?

cumprimentos

Anónimo disse...

É isso, mas a Sr. Merkel agora já é boa pessoa conforme eu sempre disse. Ainda bem que mudaram de opinião. Há outros que não mudam de opiniões!
Mas continuo a desconfiar que o interesse do País fica para trás. Dissimuladamente arranjaram já outra classe de pessoas:
Há a classe alta, mas ninguém fala nela, a classe média alta e média que parecem ter fronteiras muito cinzentas e está sempre na berra. Há também a classe baixa mas toda a gente tem pruridos em falar.
Pois bem, agora arranjaram outra classe de pessoas: a dos funcionários públicos! Esta nova classe é para abater por uns e para usar por outros... Dependendo das conjunturas e dos interesses particulares!
antónio pa

OdeonMusico disse...

absolutamente de acordo.

assim como o artigo de Manuel Carvalho, no Público: https://www.publico.pt/politica/noticia/o-recuo-de-antonio-costa-que-lhe-deu-uma-vitoria-1722599?page=-1
uma pena Mário Centeno não ser um bom orador nem um bom opositor para debate (vide entrevista de ontem (06/02) com José Gomes Ferreira na SIC)

agora há que acompanhar a execução e cumprimento do OE, e olhar com atenção para o BE e PCP [acredito que a competência negocial de A.Costa levará este OE a bom porto]


o Jaime S

disse...

Não é isso, não senhor. O problema da dita austeridade de esquerda é ser mais desigual que a austeridade de direita. A austeridade de esquerda privilegia a reposição do rendimento de funcionários públicos e reformados upper middle class em detrimento da protecção dos mais pobres. São escolhas. Só tenho pena que os nossos pobres não as percebam. O ISP afecta pobres e ricos por igual (é altamente regressivo porque é inescapável). O pobretanas que ganha 750 euros, vive no Cacém e trabalha no Tagus Park (podia ser eu), vai pagar mais em gasóleo e vai ganhar o mesmo. O grande António Costa dir-lhe-à que deixe de se armar em fino e que use transportes públicos; mas trabalhar em Porto Salvo e viver no Cacém (de cima) é um bocadinho diferente de trabalhar no Saldanha e viver em Telheiras.
E podíamos continuar a falar sobre o impacto que este aumento vai ter no preço dos bens essenciais (a distribuição em Portugal faz-se em camiões), mas para quê? Já todos percebemos que em Portugal os pobres são os funcionários públicos com apartamentos remodelados na lapa e em campo de ourique. O cacém, massamá, rio de mouro... isso deve ser noutro país. Por acaso, é onde vive o Passos Coelho.

Anónimo disse...

De pedra não se tira leite.