quarta-feira, setembro 05, 2012

LusoJornal

O "LusoJornal" fez oito anos de vida. Acompanhei quase metade desse período e posso testemunhar que, com todas as limitações de um órgão de informação que subsiste com recursos escassos, o "LusoJornal" se transformou num instrumento de grande valia para a Comunidade portuguesa em França. Sem sectarismos nem posições radicais, o "LusoJornal" fornece uma informação equilibrada e atenta às grandes questões que atravessam a vida dos portugueses que por aqui vivem.

Quero daqui deixar uma palavra de homenagem e de estímulo ao Carlos Pereira e à pequena equipa em quem a feitura do "LusoJornal" se apoia. E porque a intervenção da Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa se revelou essencial para assegurar a subsistência do jornal, desejo também saudar a CCIFP, na pessoa do seu presidente, Carlos Vinhas Pereira, por mais este serviço prestado à Comunidade.  

terça-feira, setembro 04, 2012

Moral

Ontem, foi o primeiro dia do ano letivo francês. O novo ministro da Educação nacional (sim, em França é "nacional") indicou pretender introduzir, futuramente, no ensino que é ministrado nas escolas, algumas normas de "moral republicana".

(Antes que entrem na praça os próceres monárquicos, convém que, pela enésima vez, fique claro que, em França, o termo "republicano" nada tem de oponível a "monárquico" ou "royaliste", sendo apenas um simples significado para ética de cidadania. Mas não tenho demasiadas esperanças de que esta explicação trave, em absoluto, a saída à liça da nossa rapaziada das coroas).

A esquerda não é muito useira neste tipo de iniciativas, temerosa, como sempre está, de que elas possam ser confundidas com algum tipo de moralismo autoritário e até fascizante. Por essa razão, logo se viram setores dessa mesma esquerda, mesmo alguns que apoiam o governo, a achar a ideia puramente reacionária. E, mesmo da direita, que, em princípio, deveria ser mais aberta a este tipo de iniciativas, vieram muitas objeções, quando a lógica apontaria para que essa fosse parte da sua agenda natural. Porquê?  Porque ambos os campos críticos consideram ser difícil consensualizar princípios que possam ser assumidos como incontestáveis - como se as decisões governamentais tivessem de passar por uma espécie de referendo unanimista, antes de serem postas em prática. E temem que a classe docente não esteja disponível para implementar uma tal iniciativa E, porque não é possível todos estarem de acordo, então, para alguns, o melhor é persistir no status quo, belo nome latino para nada fazer. É sempre assim...

É muito triste que, nos dias de hoje, a relativização dos princípios não permita que a sociedade acorde num conjunto de regras básicas de comportamento, desde a civilidade à ética social mais elementar, que seja possível manter alheias às lutas político-ideológicas. Mas talvez as coisas tenham de ser mesmo desta forma. Talvez, de facto, seja pouco consensual ensinar aos jovens que a competição não significa a prevalência lei do mais forte, que a igualdade de oportunidades é o contrário da legitimação da "cunha", que não "vale tudo" na vida do dia-a-dia, que é natural que não façamos aos outros aquilo que não gostamos que nos façam a nós. Mas será que os "paizinhos" recomendam isto? E se eles o não fazem e casa, poderão ser os professores  fazê-lo? 

Nesta "guerra", só me resta desejar muito boa sorte ao novo ministro francês. O qual dá mostras de querer seguir os princípios do  saudável igualitarismo laico de Jules Ferry*, mas que, nas últimas horas, já foi acusado de repetir o marechal Pétain - não o herói da 1ª grande guerra, mas o colaboracionista-mor durante a 2ª grande guerra. Não deve ser nada fácil ser ministro da Educação.

* É claro que era Jules Ferry e não Luc Ferry. Lapsos de quem se distrai muito com a atualidade. A propósito: Luc Ferry mostrou-se de acordo com estas ideias do ministro da Educação, de quem foi antecessor.  

segunda-feira, setembro 03, 2012

O intruso

As reuniões semanais de secretários de Estado são exercícios de análise dos projetos legislativos, antes deles serem submetidos ao Conselho de ministros. Podem ser reuniões muito aborrecidas, quando as temáticas são extremamente técnicas e desinteressantes. Mas é um trabalho importante de "desbaste" da produção legislativa, onde o representante de cada Ministério procura avaliar da compatibilidade do projecto com os interesses sectoriais da sua área. Grande parte dessa legislação, desde que mereça acordo a nível dos secretários de Estado, só "sobe" aos ministros para simples "luz verde", sem debate nem leitura. Quando, os secretários de Estado não conseguem chegar a um acordo, e se o Ministério proponente não retirar o dilploma, os ministros, em Conselho, são chamados a "trancher".

Recordo-me bem que, logo nos primeiros meses de governo, tive uma "pega" homérica com um colega de um determinado ministério, por via das competências a que aquele departamento se arrogava, em matéria das instruções diretas a dar à nossa representação junto da União Europeia, em Bruxelas, as quais, na minha opinião, colocavam em causa a natural preeminência do MNE nesse domínio. O assunto não mereceu consenso ao nosso nível, pelo que teve de subir a Conselho de ministros, onde, com alguma dificuldade, o chefe do governo conseguiu arbitrar uma solução. Satisfatória para a posição que eu tinha sustentado, diga-se.

Esse era, e continua a ser, um tempo a que cada governo sempre se dedica com zeloso fervor inicial - o período de produção das "Leis orgânicas" dos ministérios. Através delas, alguns departamentos procuram ganhar faixas de competências que, no passado, pertenciam a outros. No que importava ao MNE, isso era feito através da inclusão de hábeis, e às vezes ambíguas, alíneas nas lista das tarefas que que cada ministério atribuía aos seus "gabinetes de relações internacionais" ou dos "assuntos europeus". Por essa razão, cabia-me passar "a pente fino" todas as propostas de Leis orgânicas de todos os departamentos do governo. Aqui está uma matéria em que a história é sempre a mesma, qualquer que seja a coloração política dos executivos...

Naquelas infindáveis reuniões dos secretários de Estado, numa sala austera da rua Gomes Teixeira, havia por vezes alguns momentos divertidos. A grande figura desses instantes era o secretário de Estado da Justiça, José Matos Fernandes, que era conhecido por fazer um minucioso escrutínio à produção legislativa, quer do ponto de vista substantivo, quer no tocante à correção linguística, uma tarefa a que eu e o Guilherme de Oliveira Martins muitas vezes nos associávamos, com sádico prazer, para desespero de alguns colegas. É que, de certos departamentos técnicos, chegavam, por vezes, projetos de legislação num português abaixo de qualquer classificação. Matos Fernandes, que era um pouco mais velho que todos nós, fazia então observações com uma imensa graça, dando verdadeiras lições de Direito, às vezes ilustradas com histórias divertidas. Confesso que essas suas intervenções fazem parte do pouco de que tenho memória positiva dessas longas horas, nos dias em que "ia a conselho", com as pastas a chegarem às nossas casas, muitas vezes, bem tarde na noite da véspera, obrigando a leitura de diplomas até de madrugada. Não sei se as coisas ainda hoje assim se passam.

Um dia, a poucos meses da minha programa saída do governo, para regressar à "carreira", já quase no termo dos quase cinco anos e meio em que exerci aquelas funções, olhei para o outro lado da mesa e deparei com alguém que não conhecia. Os governos têm umas escassas dezenas de pessoas e, naturalmente, todos se conhecem uns aos outros, melhor ou pior. Aquela cara, porém, não me dizia rigorosamente nada. É claro que tinha havido uma recente remodelação e era natural que fosse um novo secretário de Estado. Mas - c'os diabos! -, embora eu não tivesse estado na posse, tinha visto a fotografia dos novos secretários de Estado e eu ia jurar que aquela pessoa não entrara no governo. 

O homem estava silencioso e olhava em volta, como se observasse um ambiente que lhe era estranho. Tomava algumas notas, mas não pedia a palavra. Ao meu lado esquerdo, estava o Luis Parreirão, a quem perguntei se sabia de quem se tratava. Disse que não fazia a mínima ideia e que também achara estranha a personagem. Ele também não tinha estado presente na tomada de posse. E o mesmo acontecia com o colega que estava à esquerda do Luis Parreirão. Todos nos tínhamos "baldado" da cerimónia em Belém. Pela posição na mesa, tentámos perceber a que ministério pertenceria. Mas, por uma qualquer razão, não chegámos a nenhuma conclusão.

"Será um jornalista?", lancei, baixo, para o Luís Parreirão, que arregalou os olhos com a ideia. "Às tantas!..." Sabíamos que já tinha havido falsos "deputados" do "Tal & Qual" no plenário da Assembleia da República e podia dar-se o caso de se tratar de um "golpe" similiar, desta vez na reunião de secretários de Estado. Seria preciso ter muita lata, mas tudo é possível.

Eu estava cada vez mais intrigado. À minha direita sentava-se o Guilherme de Oliveira Martins, que dirigia a reunião, como ministro da Presidência. Discretamente, perguntei-lhe se tinha alguma ideia de quem seria o fabiano sentado do outro lado da mesa, que nenhum de nós identificava. O Guilherme sabe sempre tudo! E, com a maior das calmas, disse-me o nome do homem, explicando tratar-se de um novo recruta, num determinado ministério. E, com um sorriso, acrescentou, já crítico: "se você tivesse ido à tomada de posse dos novos membros do governo, tinha-o conhecido..." É que o Guilherme tinha também tomado posse, como ministro da Presidência. E não nos tinha visto por lá...

domingo, setembro 02, 2012

Rochefort

Passaram 45 anos. As ruas de Rochefort parecem-se pouco às do filme de Jacques Démy, onde é difícil encontrar uma loja de "frites", como a que madame Ivone por ali mantinha. Estou certo que as "demoiselles de Rochefort" com que nos cruzámos só por um grande acaso conhecerão essa tentativa francesa de emular os musicais americanos, para o que não faltaram mesmo George Chakiris e Gene Kelly. O filme, que há uns meses revi, faz parte de quantos não resistiram ao tempo: é chatote, primário e de uma simplicidade quase amadora, embora pretencioso. Salvam-se as caras larocas, claro.

Já devia ter aprendido, de uma vez por todas, a abandonar este meu perigoso gosto de rever filmes (e alguns livros) que me marcaram a memória longínqua. Saio muitas vezes desiludido do exercício. 

Emmanuel Nunes (1941-2012)

Desde há vários dias que estávamos alertados. Hoje, surgiu a notícia da morte, num hospital onde estava internado, em Paris, cidade onde vivia, do compositor português Emmanuel Nunes, aos 71 anos de idade.

Emmanuel Nunes foi a maior figura da música de vanguarda em Portugal, tendo uma carreira académica de grande relevo, durante a qual esteve associado a grandes figuras da música contemporânea universal. Galardoado pelos governos português e francês, foi-lhe também atribuído o "prémio Pessoa" e o prémio de composição da UNESCO.

É reconhecido como a mais importante personalidade musical portuguesa nas últimas décadas, com expressão no âmbito internacional.

sábado, setembro 01, 2012

"Le serment des cinq lords"

A grande vantagem de se andar por "outra" França é ter a oportunidade de ler uma imprensa regional de boa qualidade, que compense a grande desilusão que hoje é, com exceção do "le Monde", a imprensa nacional francesa, basicamente reduzida às duas caricaturas políticas, respetivamente de direita e esquerda, que nos oferecem o "Le Figaro" e o "Libération". Depois do fim do "La Tribune", resta-nos seriedade conservadora do "Les Échos" que, em matéria de revistas semanais, se prolonga na revista "Challenges". Nestas, o "Le Point" e o "L'Express" são hoje, na direita, uma sombra daquilo que já foram e da importância que já tiveram. À esquerda, o "Nouvel Observateur" tem ainda algum rigor, com o "Marianne" a surgir quase como um panfleto, agora algo "déboussolé" com a vitória da esquerda.

A imprensa regional francesa, com mais de meia centena de títulos, consegue, em alguns casos, compatibilizar sínteses nacionais e internacionais interessantes com uma cobertura local mobilizadora, sem cair no sensacionalismo do "crime & cia". A minha experiência da sua leitura é escassa, pontual e pouco representativa, mas devo dizer que, vindo de um país onde essa realidade quase não existe ao nível de jornais diários, aprecio bastante o "Sud ouest", as "Dernières nouvelles d'Alsace", a "Voix du Nord" ou o clássico "Dauphiné liberé" (que, contariamente ao "Le Parisien", soube manter a orgulhosa menção de "liberé", atribuído depois do fim da ocupação alemã).

Mas tudo isto, que é "como as cerejas", vem a propósito do facto de eu andar a ler, nos últimos três dias, o também excelente "Ouest France", que cobre a Bretanha e zonas um pouco mais a sul. E o que é que fui descobrir no jornal? A publicação diária de uma nova "aventura" de Blake e Mortimer, "Le serment des cinq lords", na versão de Yves Sente e André Julliard. Pode não ter a grandeza do "traço" de Edgar P. Jacobs, mas não deixa de ser uma aproximação bem interessante. Em novembro, sai o álbum a público. Desde ontem, a Amazon já tem a minha inscrição. Que saudades eu tenho de Olrik! Bandidos deste quilate já não há mais!  

sexta-feira, agosto 31, 2012

O léxico da crise

Há uns anos, quando vivi em Londres, deparei um dia com uma expressão na imprensa que me pareceu não corresponder àquilo para que a sua leitura linear apontaria: "industrial action". Vim a perceber que se tratava de uma designação geralmente usada para greves, mesmo que o processo não fosse desencadeado na área industrial.

O mesmo fenómeno voltou a acontecer comigo aqui em França. Um dia, deparei no jornal com a expressão "plan social". Não percebi imediatamente o que isso queria dizer, porque a expressão não era de leitura unívoca. Mas, pelo contexto, rapidamente entendi que isso queria significar, numa linguagem corrente, uma situação de despedimento coletivo numa determinada empresa.

O que levará os países mais ricos a esconderem, por detrás destes eufemismos, as realidades a que nós chamamos pelos nomes óbvios?

quinta-feira, agosto 30, 2012

Leituras

Não primava pela cultura, a mulher de um diplomata que o acaso protocolar colocou ao lado daquele conhecido escritor, num jantar oficial. Para o romancista, já de si pouco dado a este tipo de eventos, toda a conversa tinha sido penosa, dado que todas as referências da senhora se situavam nos antípodas dos seus interesses.

Conhecendo embora o seu nome, ela nunca lera nenhuma das suas obras, cujos títulos teve a honestidade de dizer que não conhecia. As suas leituras mais avançadas situavam-se no género "light" das sagas urbanas, com sexo, carros, restaurantes e viagens, feitas de "casos" cruzados, em linguagem coloquial modernaça. Se ela fosse portuguesa, nós já sabíamos alguns títulos...

O escritor, porém, cuidara em ser muito complacente, quando a senhora, com grande admiração, lhe referira algumas das "obras" do género que lera. É que havia alguns desses "colegas" que eram publicados pela sua editora...

Já no fim da sobremesa, a senhora, que continuava deserta de qualquer conversa substantiva, inquiriu, sentindo-se quase na obrigação de mostrar uma simpatia curiosa:

- E agora, o que é que anda a escrever? Diga-me lá...

- Nos últimos meses, fiz uma pausa nos meus romances, revelou o escritor. Estou a escrever uma autobiografia.

- Ah! mas que interessante! E trata de quê?

quarta-feira, agosto 29, 2012

Blogue

Há dias, alguém me perguntava a razão pela qual este blogue "teimava" em publicar um post diário, desde a sua "inauguração", em 4 de fevereiro de 2009. A única resposta que encontro é a de que mantenho uma espécie de "aposta" comigo mesmo, sobre a capacidade de respeitar uma certa auto-disciplina.

Ou, quem sabe?, ainda será a memória dos tempos de infância em que, em minha casa, havia uma pequena caixa de cartão que tinha por fora (sem ofensa e com todo o respeito pelos leitores do blogue) a expressão: "um tostão por dia para os pobres da freguesia"...

terça-feira, agosto 28, 2012

Cimeiras e cúpulas

Foi ontem anunciado o adiamento da cimeira que estava prevista entre Portugal e o Brasil. Aposto que, no Brasil, os jornais falaram em "cúpula". 

Entre o português de Portugal e o do Brasil não há apenas diferenças na ortografia e na sintaxe. Há, pelo meio (os brasileiros dirão "em meio") de um vocabulário comum muito extenso, muitas palavras que são diversas. Alguns vocábulos brasileiros têm origem no português antigo, que se perdeu em Portugal e que permaneceu naquele país, em especial no Norte. Outros termos derivam da influência das línguas locais, como o tupi-guarani, ou de palavras oriundas de outras migrações, como a italiana, que também muito contribuiu para a abertura das vogais na fonética brasileira. Outras ainda, têm a ver com realidades locais e com uma evolução lexical que procurou, muito mais do que em Portugal, verter para a escrita o produto da oralidade popular. 

Estas diferenças, que não existem com a mesma intensidade noutras grandes línguas internacionais, não devem ser dramatizadas, mas devem ser lidas como fruto de uma diversidade que não há desvantagem em continuar a ser cultivada, desde que não fragilize o muito que a língua tem de comum, nomeadamente na sua expressão no mundo internacional.

Mas toda esta "conversa" vem a propósito das cimeiras ou cúpulas entre os dois países, que nunca têm uma data certa para a sua realização, que têm lugar quando é considerado oportuno por ambos e quando há suficiente matéria, em termos de interesses bilaterais, que justifiquem a ocasião. O mesmo se passa com exercícios idênticos que Portugal tem com a França, a Espanha ou Marrocos. 

Em 2006, teve lugar no Porto uma dessas cimeiras. Na noite que a antecedeu, fui testemunha de uma curiosa cena. Num certo momento, os dois diplomatas, um de cada país, que tinham a seu cargo a preparação do texto das conclusões, pareceram-me algo preocupados. O que é que se passava?  Muito simplesmente, cada país tinha contribuído com textos para essas conclusões e, ao juntarem-se esses mesmos textos num documento comum, ele ficava uma verdadeira "manta de retalhos", com expressões portuguesas e brasileiras, com uma espécie de ortografia e vocabulário "a meio do Atlântico". A imprensa, que era o destinatário principal dessas conclusões, iria, com certeza, ironizar com essas diferenças. E seria ridículo produzir dois documentos com diferentes ortografias, sintaxes e vocábulos.

Foi nessa altura que eu, e creio que o Lauro Moreira, o embaixador brasileiro que viria a ser o representante do Brasil na CPLP, nos voluntariámos para ajudar. Por alguns minutos, dedicámo-nos ao exercício de procurar sinónimos e expressões que, não apenas fossem comuns a ambos os países, mas que, igualmente, não apresentassem diferenças ortográficas. O nosso esforço foi bem sucedido e, nos poucos casos em que não fomos capazes de contornar as diferenças existentes, optámos por colocar as fórmulas portuguesa e brasileira, separadas por uma barra. 

Tudo se resolve, entre Portugal e o Brasil.

O valor dos Bonds

Todas as manhãs, de há uns anos para cá, um dos meus gestos de rotina, é olhar a evolução do valor dos Bonds (dívida pública) portugueses no mercado internacional, verificando o "spread" face aos que são emitidos por Berlim. Começo sempre a leitura do "Financial Times" por aí. Os Bonds são um bom indicador da forma como os mercados olham para a economia portuguesa, o que é importante, em especial agora, nestes tempos de "troika".

Ontem, porém, o valor relativo de outros Bonds chamou a minha atenção. Foi Roger Moore, o ator que protagonizou mais filmes de James Bond, que apareceu citado na imprensa como tendo dito que Daniel Craig, o último ator a interpretar a personagem, era o melhor James Bond de sempre.

Roger Moore é um senhor respeitável, que protagonizou alguns desses filmes com um misto de humor e charme machista, que sempre saía das cenas mais violentas com a poupa intocada, com aquele sorriso de marca, que, aliás, conserva na velhice, como pude comprovar há meses, quando o cruzei num evento por aqui. Como ator, desempenhava um Bond divertido, ao mesmo nível, comparadas as épocas, com que já fizera para a televisão as séries Ivanhoe ou O Santo. Mas, sejamos honestos, foi sempre um ator "13 valores", para usar a classificação que o meu pai costumava dar às prestações "assim-assim". Sempre pressenti que, no seu íntimo, vivia com um fantasma que se chama Sean Connery - o "verdadeiro" Bond. Isso mesmo fica confirmado nestas declarações de Moore que, enfim, estão ao nível daquilo a que sempre nos habituou como ator: "13 valores". 

segunda-feira, agosto 27, 2012

Férias

Têm sido divertido notar as reações de alguns amigos, agora regressados ao trabalho, quando lhes revelo que... agora, vou eu de férias!

sábado, agosto 25, 2012

O cunhado

Claro que não era uma ordem, até porque tinha vindo de Lisboa por via indireta, cordial e amigável. Mas o recado segundo o qual aquele ministro português "gostaria muito" se a embaixada em Londres pudesse arranjar dois lugares, destinados a um seu cunhado e a um professor deste, para uma final da Taça de Inglaterra em Wembley, configurava aquele género de pressão a que é difícil dizer que não. O problema é que os bilhetes para o jogo estavam esgotados, há muito. Eu conseguira comprar um, para mim, mas já há largos meses.

Na embaixada, descobriu-se alguém que tinha um amigo na federação britânica. Essa pessoa, por especial favor, conseguiu dois acessos, depois de ter explicado que havia um ministro por detrás do pedido. A resposta da federação foi, aliás, melhor do que se poderia supor: atendendo a que era um pedido "oficial" de um membro do governo português (não sei bem o que disseram à federação), ofereciam dois convites, gratuitos, para uma zona especial, tipo camarote, onde ficavam os convidados da federação. Porque era uma área do estádio alheia às claques, relativamente "neutral", a federação apenas pedia alguma parcimónia na exibição de bandeiras ou símbolos dos dois clubes em liça. Esses ficavam para as duas imensas claques, uma londrina, do Chelsea, outra do Sheffield Wednesday. 

Era na cidade de Sheffield que o cunhado do ministro estudava. Estava assim explicado que quisesse fazer um gesto e trazer o professor para ver o seu clube. E, com certeza, para mostrar o que era a importância de ser cunhado de um ministro, capaz de mover mundos e fundos para arranjar duas entradas, ainda por cima de borla, para uma "Cup final". Ao cunhado do ministro, lembro-me que alguém transmitiu a indicação da necessidade de serem respeitadas as limitações coreográficas assinaladas pela federação, tendo ficado combinado deixar os dois convites num determinado local de Londres.

No dia do jogo, lá fui para Wembley. Como o meu bilhete era relativamente central, fora das claques, podia avistar, com facilidade, os camarotes. E foi então que lá os vi, no meio de um largo grupo de pessoas que não ostentavam nem bandeiras nem cachecóis: aquele que me pareceu ser o professor e um miúdo, jovem adolescente, ambos vestidos, da cabeça aos pés, de evidentes fãs do Sheffield Wednesday, a destoarem vivamente, pela cor e pela agitação que fui observando, dos responsáveis federativos e seus convidados. Imagino que alguém da federação deva ter estranhado bastante aquele golpe de "entrismo" lusitano.

O cunhado do ministro telefonou, dias depois, a agradecer, dizendo que tinha ficado "adoentado" e que, por essa razão, tinha dado o seu bilhete ao filho do professor. Pois...

Porque a sorte protege os audazes mas não necessariamente os espertalhaços, o Sheffield Wednesday perdeu contra o Chelsea e os dois "convidados" terão ficado com uma cara similiar à dos seus correlegionários da foto (mas não me lembro se algum deles usava o elegante capacete da "farda").

Passou-se isso numa tarde de sábado dos anos 90, um dia em que eu percebi melhor por que razão a palavra cunhado pode ter a ver alguma coisa com a palavra "cunha". Ontem, ao assistir, pela televisão, à terceira (e merecida) vitória consecutiva do Chelsea na edição deste ano da "league" inglesa, lembrei-me deste episódio. E que, daquela vez, até fiquei satisfeito pelo facto do Chelsea ter ganhado, coisa que só me voltaria a acontecer nos tempos de Mourinho, Scolari e Vilas Boas. Porquê? Porque, em Londres, eu "sou" do Arsenal, claro!

sexta-feira, agosto 24, 2012

A "chance" de Poulidor

E continuamos no ciclismo. A decisão de Lance Armstrong, ontem anunciada, de renunciar à sua defesa perante as acusações de dopagem que lhe são feitas, deve resultar na sua desqualificação como vencedor de sete "Tours de France".

Julgo que a imagem da popular prova ciclística francesa, bem como a do ciclismo em geral, vão sofrer fortemente, em matéria de credibilidade, particularmente se somarmos este escândalo aos tantos outros que mancham a competição e tornam cada vez mais duvidosas (e, pelos vistos, precárias) as vitórias a que vamos assistindo. Devo dizer que, como ativo adepto - de sofá e televisão - do mundo do ciclismo, entristece-me ver esta mítica modalidade, que tanto mobilizou a minha atenção desde a juventude, entrar "pelas ruas da amargura". E começa a ser ridículo - mas compreensível - que os resultados ciclísticos acabem por ser ditados nos laboratórios (como alguns do futebol o são "na secretaria")

Um amigo, ontem, ao telefone, comentou: "Não és tu que és um fã do Poulidor?". 

Para o leitor menos avisado, diga-se que Raymond Poulidor foi um grande ciclista francês, vencedor de várias provas no país e no estrangeiro, mas que nunca conquistou o "Tour de France", nem nele sequer vestiu alguma vez a "camisola amarela", embora tenha ganho várias etapas. Mas, nesse mesmo "Tour", foi três vezes segundo classificado e cinco vezes terceiro. É hoje um ídolo para várias gerações francesas e é uma figura por quem, desde sempre, nutro uma imensa simpatia, nesta minha incontrolável tendência para gostar dos gloriosos e dignos "losers".

Perguntei ao meu amigo por que diabo me vinha falar do Poulidor. "É que, por este andar, ainda vão acabar por desclassificar o Anquetil e o Merckx, nalguma "revisão de provas", pelo que o Poulidor pode ainda ter uma "chance" de ganhar uma Volta à França ...". 

Desporto

Segundo o "Der Spiegel" desta semana, a Alemanha vai ter um novo representante diplomático em Paris, uma senhora, conhecida pelo seu espírito desportivo, porque vai todas as manhãs de bicicleta para o trabalho.

Neste aspeto, peço meças à minha nova colega: eu vou a pé, todos os dias, de casa até ao emprego.

E espero que não me venham dizer que o facto do escritório da embaixada ser no andar superior àquele em que se situa a residência fragiliza o argumento.

quinta-feira, agosto 23, 2012

Goa

Goa foi um tema que sempre me fascinou, menos pela inegável importância histórica da nossa presença na costa indiana e muito mais pela natureza, que sempre vi como muito ambígua, da relação de Portugal com aquela terra e aquela gente. Há uns anos, essa curiosidade levou-me mesmo a passar por lá uns dias. E, devo dizer com franqueza, saí mais confundido do que estava quando lá cheguei.

No final de 2011, passou exatamente meio século desde que a União Indiana invadiu as últimas possessões que Portugal mantinha na costa do Malabar: Goa, Damão e Diu. Dois enclaves, Dradrá e Nagar Haveli, já haviam sido absorvidos pelo governo de Nova Delhi, em 1954. Uma curta batalha militar veio encerrar uma mais longa batalha jurídico-diplomática, com que o governo ditatorial português pretendia contrariar o processo descolonizador. A perda do Estado da Índia representou um trauma muito importante num país que, nesse ano, já havia assistido às trágicas consequências da sublevação em Angola. O colonialismo português entrava no seu declínio e, com ele, o próprio regime.

Mas, à época, diga-se em abono da verdade, nem só os dirigentes do Estado Novo se recusavam a aceitar o fim do império: grande parte da opinião pública portuguesa, mesmo dentre quantos se opunham a Salazar, mantinha uma atitude favorável (ou, pelo menos, não desfavorável) à manutenção dessa parcela do "ultramar português". Mesmo no seio das forças organizadas da Oposição, essa atitude dominava, convém dizê-lo. Recordo-me bem da emoção provocada em Vila Real, em fins de 1961, aquando da "queda" do Estado da Índia, pela invasão das tropas do "Pandita Nehru".

(Nunca me saiu da cabeça a ideia que criei de que a reiterada utilização adjetivada que a propaganda do regime fazia da palavra "Pandita" - designação elogiosa indiana que era atribuída a Nehru e que, em rigor, significa homem sábio e educado - tinha a ver com a sua similitude sonora com "bandido", tal como, anos mais tarde, aconteceu na América com as expressões "Saddam" e "Satan". Os cartazes com palavras de ordem que diziam "Abaixo o Pandita" e coisas similares assim parece provarem).

Tenho na memória a visão do meu professor de História, dr. Carlos Sanches, não sei bem em que qualidade, a discursar na varanda do Governo Civil de Vila Real, para umas centenas de pessoas que, com patrióticos cartazes, manifestavam o seu pesar pelos acontecimentos. Eu estava ali com o meu pai, um eterno anti-salazarista, mas que estava solidário com a defesa do Estado da Índia.

Na altura, a censura aos media não deixou revelar as dissenções havidas entre o governador-geral Vassalo e Silva e o executivo de Lisboa, com a "heroicidade" de Salazar a mandar, da comodidade de S. Bento, o célebre e gongórico telegrama, redigido para a História e para o "livro branco": "Não haverá nem vencedores nem vencidos, só heróis e mártires". Lembro-me da emoção com que então se ouvia falar do afundamento do aviso Afonso de Albuquerque, bem como da "defesa heróica" levada a cabo pelas forças militares portuguesas em Goa. Só muito mais tarde vieram a conhecer-se as condições miseráveis em que estavam as nossas tropas no terreno e no total irrealismo que representaria uma luta até ao último homem. A vilificação de Vassalo e Silva (a ironia estadonovista nas conversas sugeria a sua "cobardia", ao tratá-lo como "bacilo salvo") foi a escapatória fácil encontrada pela ditadura para justificar a derrota militar, a qual, como disse, era uma outra face da inevitável derrota política da teimosia na manutenção do sonho imperial, de que Índia "portuguesa" era a primeira peça do dominó a cair.

Como atrás disse, há uns anos, passei uns dias em Goa. A Índia era a zona da fixação colonial portuguesa que me criava (e ainda cria) maiores interrogações. Sabia do modo ofendido como os habitantes de Goa, Damão e Diu tinham entendido a aplicação ao território do Ato Colonial, logo no início do Estado Novo. Li, mais tarde, textos escritos por goeses divididos entre a fidelidade a um Portugal que os tratara menos bem e a atração por uma União Indiana que lhes abria caminho a uma ligação a um grande Estado descolonizado, então "farol" para muitos povos. E percebera, também, a desilusão que muitos goeses haviam acabado por sentir, ao verem a sua identidade violentada por uma integração algo traumática, desrespeitadora da sua sensibilidade cultural e até religiosa. Não sei o suficiente sobre o assunto para poder ter uma opinião segura, mas recomendo muito que, quem possa, vá a Goa e por lá tente entender aquela gente que ficou "a meio da ponte"...

Nessa viagem, entre outras surpresas, tive uma experiência curiosa. Como acontece com muitos turistas portugueses, procurei visitar algumas das antigas casas senhoriais do tempo da Índia "portuguesa", hoje maioritariamente transformadas numa espécie de museus, as mais das vezes tristes, que espelham uma decadência serena e digna. E onde, em geral, se fala de Portugal sem acrimónia, mas também sem especial nostalgia, como falamos de longínquos membros desaparecidos da família, com defeitos e virtudes. Mais do que de Portugal, do que alguns goeses parece terem saudades é da sociedade goesa do passado, o que são coisas muito diferentes.

A certo ponto da minha estada, ao aproximarmo-nos de uma dessas casas, fui informado pelo motorista que ela não era visitável, salvo com diligências que eu não tinha tempo de empreender. O mesmo motorista chamou-me, entranto, a atenção para uma senhora que estava a sair da casa, dizendo saber que era ela a proprietária. Pedi para parar o carro e dirigi-me à senhora, que deveria mais de 80 anos. Fi-lo em inglês. A senhora olhou para mim e, num português impecável, respondeu-me: "Mas por que é que está a falar-me em inglês? Eu falo português. Eu fui deputada à Assembleia Nacional!". Chamava-se Lurdes Figueiredo e, logo recordei, fizera parte de um grupo de deputados, de um género a que os brasileiros chamam "biónicos", que haviam sido designados pelo Estado Novo para representar o Estado da Índia, no areópago de S. Bento, ao tempo em que o general França Borges era uma espécie de governador-geral no exílio... em Lisboa. Creio que duraram até ao 25 de abril, se não me engano.

Fiquei sempre com muita pena de não ter tido a oportunidade de falar longamente com aquela senhora, para tentar perceber um pouco mais desse tempo estranho, de um Portugal em transição, em trágico final de império. 

Tão estranho que o motorista que me transportava, um hindu que não falava uma palavra de português e que havia nascido já bem depois do fim da Índia dita portuguesa, me pediu para lhe mandar, de Lisboa, autocolantes com o nosso escudo ou a nossa bandeira, para si e para oferecer aos amigos, que achavam muita graça usar nos automóveis. As bizarras malhas que o império tece...  

O francês

Vasco Graça Moura publicou ontem no "Diário de Notícias" um interessante artigo em que dá conta do declínio de importância da língua francesa em Portugal, sublinhando a sua contribuição para a nossa cultura e para a nossa abertura ao mundo. 

E, a propósito, lembrou um curioso soneto do Abade de Jazente (sec XVIII):
 
"Portugal, que era rústico algum dia,
Incivil, trapalhão, mal amanhado,
Está graças à França tão mudado,
Que o mesmo já não é do que soía.
A língua, o traje, o trapo, a grossaria
Dos antigos costumes tem deixado:
É todo doce, é todo concertado;
E parece outro sua Senhoria".

Leia o artigo aqui.

quarta-feira, agosto 22, 2012

Ar verdadeiramente condicionado


Paris vive dias abafados, num verão quente raro, com temperaturas a aproximarem-se dos 40 graus. A embaixada e a residência do embaixador não têm ar condicionado, porque o prédio é antigo e tem de ser preservado. Nos escritórios, sobrevive-se num ambiente de penumbra, que quase obriga a acender as luzes. Sonha-se com ar condicionado, mesmo que fosse o das patuscas histórias de "espionagem" da FNAC no "verão quente", contadas por quem nos quer convencer de que tudo "foi assim", quando, na altura, pensava "assado". Nessa falta de ar, não se estranhará, por isso, que me tenha vindo à memória o episódio que conto neste post.

A doutrina divide-se, desde há muitos anos, sobre se foi a perfídia dos companheiros de viagem ou as condições do acaso que fizeram com que o meu colega Paulo Castilho (esse mesmo, o escritor, também diplomata) e eu fôssemos parar àquele sinistro hotel nos Barbados. Estávamos a dar então os nossos primeiros passos nas instituições europeias, em 1986, e competia-nos defender as cores nacionais numa reunião multilateral, em Bridgetown, dedicada a questões de comércio e desenvolvimento. 

Parte da delegação chegara dias mais cedo. Nós arribávamos de Londres, na véspera da reunião plenária, juntamente com o chefe da delegação. Para este, estava destinado um belo quarto, num bungalow sobre a praia. O Paulo Castilho e eu fomos informados de que só fora possível reservar aposentos num outro hotel, "um pouco fora da cidade". Conhecendo do que a casa gasta, fiquei de pé atrás. Mas lá jantámos, bem dispostos, em Bridgetown, distraindo uma colega que tinha perdido a mala e discutindo quotas de açúcar, antes de rumarmos ao tal hotel.

No táxi, começámos a preocupar-nos. O tempo passava e os caminhos eram cada vez mais estreitos. Depois de aí uma boa meia hora viagem, chegámos ao destino. Era um hotel medíocre, na soleira de ser uma espelunca. Olhámos um para o outro, na certeza de que esse facto não iria atenuar as invejas que tínhamos deixado para trás, em Lisboa, ao termos tido o privilégio de ser designados para uma reunião nas Caraíbas. Haveria que passar ali três noites. E, em especial, tínhamos de madrugar e encontrar transportes para estar a tempo nas reuniões. Eu estava furioso, diria mesmo, nominalmente furioso com as pessoas que tinha como responsáveis daquela "partida", que nem por um segundo desligámos de um conflito de titularidade sobre os assuntos tratados na reunião, que então se vivia dentro do MNE.

Na receção do hotel, perguntei se os quartos tinham ar condicionado, temendo o pior. A resposta foi críptica: "Sim, mas tem um pormenor que explicaremos quando chegar ao quarto". E lá fomos. Sem elevador, claro. O quarto estava ao nível das baixas expetativas que já levávamos. Mas tinha ar condicionado. O pormenor? Bom, o pormenor é que, para que o ar condicionado funcionasse era necessário, de duas em duas horas, meter uma moeda. Coisa simples, está bem de ver!, para quem pretendia dormir, depois de uma imensa jornada. Foram dias, melhor, noites horrorosas, com olheiras que nem deu para atenuar com umas horas de praia, coisa que os nossos colegas alojados em Bridgetown tinham assegurado, quando quisessem. 

No regresso, "vingámo-nos" à nossa maneira! Eu e o Paulo Castilho viémos por Nova Iorque, onde passámos uns curtos dias de férias. Vi que ele aproveitava para tomar algumas notas. Só uns anos depois percebi porquê, ao reconhecer, desses dias, alguns cenários no seu livro de estreia, "Fora de Horas".

(E, passado que entretanto foi o tempo, quero declarar que já iniciei um processo de autoconvicção sobre a "bondade" intrínseca de quem nos reservou os quartos no hotel caribenho. Um dia, perguntarei ao Paulo Castilho se já se convenceu...)

Em tempo: um leitor atento, poeticamente a banhos em zonas da reconquista, teve a gentileza de mandar, para usufruto dos leitores deste blogue, este curioso texto intitulado "L'air conditionné est-il de droite?", magna questão que deve provocar suores frios a quem a coloca.

San Francisco

Só hoje dei conta de que morreu Scott Mackenzie. Dele, apenas nos ficou (o que não é pouco) o seu "San Francisco":

all across the nation
such a strange vibration
people in motion
there's a whole generation
with a new explanation
people in motion

Jogar à defesa

Dizer que o ataque a um país situado a mais de dez mil quilómetros tem uma natureza "defensiva" só não roça o ridículo porque, da ...