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terça-feira, setembro 04, 2012

Moral

Ontem, foi o primeiro dia do ano letivo francês. O novo ministro da Educação nacional (sim, em França é "nacional") indicou pretender introduzir, futuramente, no ensino que é ministrado nas escolas, algumas normas de "moral republicana".

(Antes que entrem na praça os próceres monárquicos, convém que, pela enésima vez, fique claro que, em França, o termo "republicano" nada tem de oponível a "monárquico" ou "royaliste", sendo apenas um simples significado para ética de cidadania. Mas não tenho demasiadas esperanças de que esta explicação trave, em absoluto, a saída à liça da nossa rapaziada das coroas).

A esquerda não é muito useira neste tipo de iniciativas, temerosa, como sempre está, de que elas possam ser confundidas com algum tipo de moralismo autoritário e até fascizante. Por essa razão, logo se viram setores dessa mesma esquerda, mesmo alguns que apoiam o governo, a achar a ideia puramente reacionária. E, mesmo da direita, que, em princípio, deveria ser mais aberta a este tipo de iniciativas, vieram muitas objeções, quando a lógica apontaria para que essa fosse parte da sua agenda natural. Porquê?  Porque ambos os campos críticos consideram ser difícil consensualizar princípios que possam ser assumidos como incontestáveis - como se as decisões governamentais tivessem de passar por uma espécie de referendo unanimista, antes de serem postas em prática. E temem que a classe docente não esteja disponível para implementar uma tal iniciativa E, porque não é possível todos estarem de acordo, então, para alguns, o melhor é persistir no status quo, belo nome latino para nada fazer. É sempre assim...

É muito triste que, nos dias de hoje, a relativização dos princípios não permita que a sociedade acorde num conjunto de regras básicas de comportamento, desde a civilidade à ética social mais elementar, que seja possível manter alheias às lutas político-ideológicas. Mas talvez as coisas tenham de ser mesmo desta forma. Talvez, de facto, seja pouco consensual ensinar aos jovens que a competição não significa a prevalência lei do mais forte, que a igualdade de oportunidades é o contrário da legitimação da "cunha", que não "vale tudo" na vida do dia-a-dia, que é natural que não façamos aos outros aquilo que não gostamos que nos façam a nós. Mas será que os "paizinhos" recomendam isto? E se eles o não fazem e casa, poderão ser os professores  fazê-lo? 

Nesta "guerra", só me resta desejar muito boa sorte ao novo ministro francês. O qual dá mostras de querer seguir os princípios do  saudável igualitarismo laico de Jules Ferry*, mas que, nas últimas horas, já foi acusado de repetir o marechal Pétain - não o herói da 1ª grande guerra, mas o colaboracionista-mor durante a 2ª grande guerra. Não deve ser nada fácil ser ministro da Educação.

* É claro que era Jules Ferry e não Luc Ferry. Lapsos de quem se distrai muito com a atualidade. A propósito: Luc Ferry mostrou-se de acordo com estas ideias do ministro da Educação, de quem foi antecessor.  

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