Há um inesperado potencial de romance no combate autárquico. Fui alertado para ele pela reportagem que João Pedro Henriques traz hoje no DN sobre a Vidigueira.
Quem havia de dizer o PCP, com a sua sisudez ideológica, ia ver-se apanhado na trama entre o seu ex local, um tal Narra (belo nome!), e o promissor futuro político da sua amada d'Aguilar (isso mesmo, com apóstrofo e apelido de conde prestidigitador)?!
No embaraço da traição, os comunistas (disfarçados de CDU, porque a foice picaria a moderação de algum eleitorado) lá vão à urna com um Raposo (filho do Raposo do estimável restaurante local, onde, confirmo, não se comia mal), entretanto demitido de assessor autárquico pelo Narra, em cena dita picante, aliãs com consequências menos agradáveis na saúde familiar do desempregado.
Qual Beirais, qual carapuça! Nem Soeiro Pereira Gomes imaginaria tal "engrenagem". É que, ao pé das sagas policiais de delinquentes de periferia, muito série B, que excitam Oeiras ou Gondomar, a Vidigueira está transformada numa imensa fonte de inspiração para uma "Narra...tiva" romanceada.