Ontem, segundo uma imagem que circula pela net, uma onça entrou nas instalações do Palácio do Itamaraty, o ministério das Relações Exteriores do Brasil.
Conhecendo o humor e a ironia dos meus amigos brasileiros, posso imaginar as graças que o acontecimento não irá provocar na sede da diplomacia daquele país, em torno do termo "amigo da onça".
O que menos gente sabe é que o conceito foi popularizado por "cartoons" na revista "O Cruzeiro", assinado pelo humorista Péricles, representando uma figura de cavalheiro, de cabelo tão untuoso como o seu caráter, de bigodinho (muito Brasil anos 50), impecavelmente vestido, que se dedicava a provocar embaraços aos "amigos".
Usei o termo por muitos anos, antes de lhe conhecer a origem. E nunca ninguém mo tinha explicado, até que, um dia, José Alencar, vice-presidente do Brasil, um querido amigo que já se foi, me contou a história. Ei-la.
Dois amigos conversavam. Um deles perguntou: "O que é que tu fazias se um dia te aparecesse uma onça à frente?". O outro respondeu: "Dava-lhe um tiro, claro!". "Mas imagina que, nesse momento, estavas sem espingarda?". A resposta foi: "Agarrava uma cadeira, para me defender!. O outro não desarmava: "E se não tivesses uma cadeira?". O outro tentou o possível: "Sei lá! Subia a uma árvore ou a um telhado...". "Pois! Mas se não houvesse árvore ou casa para subir?". Irritado, o amigo redarguiu: "Ó homem! Olha lá! Mas tu és meu amigo ou amigo da onça?!".
