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terça-feira, agosto 22, 2017

A onça e os seus amigos


Ontem, segundo uma imagem que circula pela net, uma onça entrou nas instalações do Palácio do Itamaraty, o ministério das Relações Exteriores do Brasil. 

Conhecendo o humor e a ironia dos meus amigos brasileiros, posso imaginar as graças que o acontecimento não irá provocar na sede da diplomacia daquele país, em torno do termo "amigo da onça".

Quase toda a gente sabe o que é um "amigo da onça". É o sinónimo de falso amigo.

O que menos gente sabe é que o conceito foi popularizado por "cartoons" na revista "O Cruzeiro", assinado pelo humorista Péricles, representando uma figura de cavalheiro, de cabelo tão untuoso como o seu caráter, de bigodinho (muito Brasil anos 50), impecavelmente vestido, que se dedicava a provocar embaraços aos "amigos".

Usei o termo por muitos anos, antes de lhe conhecer a origem. E nunca ninguém mo tinha explicado, até que, um dia, José Alencar, vice-presidente do Brasil, um querido amigo que já se foi, me contou a história. Ei-la.

Dois amigos conversavam. Um deles perguntou: "O que é que tu fazias se um dia te aparecesse uma onça à frente?". O outro respondeu: "Dava-lhe um tiro, claro!". "Mas imagina que, nesse momento, estavas sem espingarda?". A resposta foi: "Agarrava uma cadeira, para me defender!. O outro não desarmava: "E se não tivesses uma cadeira?". O outro tentou o possível: "Sei lá! Subia a uma árvore ou a um telhado...". "Pois! Mas se não houvesse árvore ou casa para subir?". Irritado, o amigo redarguiu: "Ó homem! Olha lá! Mas tu és meu amigo ou amigo da onça?!". 

Em Belém

Entrei no palácio de Belém, pela primeira vez, em início de maio de 1974 (foi há muito tempo: maio ainda se escrevia com maiúscula). Tinha a...