O racista de Loures não é importante. Importante foi Passos Coelho e o PSD dele não se terem demarcado.
Pedro Passos Coelho não é (obviamente) um racista, mas vive uma situação de desespero político que o leva, nos dias de hoje, a cavalgar, de forma oportunista, sentimentos que um verdadeiro social-democrata deveria rejeitar. E isso tem um nome, feio: chama-se populismo.
O que Passos Coelho disse no Pontal sobre a lei da nacionalidade não teria grande importância se isso não tivesse acabado por se somar àquela que parece começar a ser uma deriva filo-xenófoba de alguns setores dentro do seu partido. Ao dizer o que disse, no contexto que hoje se vive, o líder do PSD, que é tudo menos um ingénuo político, sabia bem o que fazia. E isso é que é muito grave. Como se prova pelo facto da imprensa ter corrido a sublinhar aquela sua declaração.
Só falta agora que um refugiado, ou um imigrante de Leste, surjam acusados por alguém - não, não é preciso haver provas ou ser condenado! - de terem ateado um incêndio. Esperem pelas redes sociais, pelo lixo aqui no facebook, pelos desbragados sob pseudónimo no twitter. É assim que estas coisas começam.