Francisco Vale, que dirige e editora Relógio de Água, e Guilherme Valente, que orienta a Gradiva, envolveram-se numa polémica nas páginas do "Diário de Notícias". Faço um "disclaimer" pessoal: sou amigo de Vale e tive, há duas décadas, um contencioso com Valente. Mas, além do respeito que ambos me merecem, não quero opinar nesta questão.
Quero apenas dizer que fico muito satisfeito pelo facto de ver as polémicas regressarem às páginas dos jornais. Somos um país em que há uma forte tradição desses duelos em letra de forma, em especial na área da cultura, e sinto imensa falta delas.
Ainda há dias, com uns amigos, recordava a virulência de um confronto, nos anos 70, nas páginas do "Diário de Lisboa", entre o jornalista e crítico Mário Castrim e o jornalista e escritor Artur Portela Filho. Já não sei a razão da polémica, mas recordo-me de um texto "assassino" (no "bom" sentido...) de Portela ao crítico, que envolvia as escadas do Teatro Vilaret e a tradicional bengala do crítico. E, claro, a inolvidável resposta deste último, num artigo que tinha o título, para mim até hoje insuperado em genialidade: "Ó Artur! Ó Portela! Ó Filho!"
Regressem as polémicas na imprensa! Precisamos de "bela pancada"! Isto está sem graça nenhuma!
