De há uns tempos a esta parte, pegou a moda nos "sites" informáticos de destacar "os dez hotéis mais luxuosos do mundo", as "vinte paisagens mais espetaculares", as "cinquenta fotografias mais belas" e coisas deste género, coloridinhas com o "photoshop" profissional.
Ainda sou do tempo de uma célebre coleção de livros, creio que dos anos 60, que apresentava os "dez maiores criminosos da história", as "dez mulheres que mudaram o mundo, os "dez maiores roubos do século" (nessa altura o BES era gente "bem") e outras coletâneas, muito à moda Reader's Digest que então estava a dar.
Confesso que encanito com estas séries informáticas, mas, claro, já dei comigo a fazer o "vêzinho" e a dizer intimamente "só me faltam dois monumentos" ou "três paisagens estonteantes".
Por um lado, elas alimentam a neo-burguesia que obsessivamente quer visitar este mundo e o outro. São os lisboetas que não conhecem os altares de São Roque mas que já foram à ilha da Páscoa. São os portuenses que nunca subiram aos Clérigos, mas já dormiram no Raffles de Singapura ou sonham com o Rambagh de Jaipur.
Há dias, porém, decifrei o mistério do surgimento destas listas. E é tão simples! Trata-se de enganar os anunciantes desses "sites". Por cada "clic" nesses monumentos ou lugares, o "site" conta um visitante. Assim, em "oitenta qualquer coisas", ao ser cada uma delas "clicada" pelo leitor, o lugar informático conta 80 visitantes. E o anunciante acredita. É simples, é barato e dá (quando dá) milhões...
