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sexta-feira, junho 10, 2016

O dia da gratidão e do respeito



A decisão de Marcelo Rebelo de Sousa de partilhar o dia de hoje com cidadãos portugueses residentes no exterior merece ser saudada.

É clássica a frase ficcionada de um português, interrogando-se junto de outro, de forma desencantada, pelo facto de um país de descendentes de quantos «deram novos mundos ao mundo» continuar a ser, nos dias de hoje, a nação mais pobre da Europa ocidental. A resposta do interlocutor é clássica, na sua ironia :  «Não é verdade! Nós não somos descendentes desses portugueses intrépidos que descobriram o Brasil ou o caminho marítimo para a Índia. Nós descendemos dos que não quiseram ir, dos que por cá ficaram...» De certo modo, o mais ousado e ambicioso Portugal foi o que daqui partiu.

O nosso país tem hoje a viver no estrangeiro uma percentagem muito significativa da sua população. Salvo exceções, a maioria desses nossos compatriotas foram obrigados a sair, pela circunstância do país onde nasceram não ter sido capaz de lhes proporcionar  condições para aqui realizarem o seu futuro, como seria da natureza normal das coisas. Esta é uma tragédia nacional, com que vivemos desde há séculos e que nos desqualifica perante o mundo. Não conheço nenhum país que force os seus cidadãos a emigrar e que, simultaneamente, seja visto de forma prestigiada pela comunidade internacional.

No passado, Portugal «exportava» mão-de-obra pouco qualificada, pessoas geralmente com escassa formação, que iam para «os Brasis», depois para a Europa ou para o norte das Américas, à procura de melhor sorte. A partir dos anos 60 do século passado, a ditadura ludibriou muitos milhares de novos «colonos», seduzidos por um futuro em Angola ou Moçambique, a quem foi escondido que estavam destinados a ser «carne para canhão», no mais do que expectável estertor do nosso patético colonialismo. Depois, foi o que se viu, com esses compatriotas a «retornarem» ao solo europeu, ou a espalharem-se da África do Sul à Austrália ou, uma vez mais, pelo continente americano.

Os últimos anos trouxeram uma realidade migratória diferente. Largos milhares de jovens, alguns com excelentes qualificações que o país pagou, na convicção de que neles alicerçaria o futuro, continuam a ser condenados a ir buscar melhor vida algures, cedidos «chave-na-mão» a economias desenvolvidas, que avidamente os aproveitam para o seu desenvolvimento. É frustrante sentir que Portugal perde, em muitos casos de forma definitiva, a sua geração mais qualificada de sempre.

Marcelo Rebelo de Sousa, com este seu gesto, cumpre um dever de gratidão e contribui para tentar preservar o tecido dessa magnífica reserva de portugalidade que são as nossas comunidades.

Júlio Isidro

Não sou íntimo de Júlio Isidro, longe disso!, mas conheço-o desde sempre. Da televisão pré-Abril, claro, onde me recordo de o ver fardado e ...