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quarta-feira, junho 01, 2016

O esquecimento


O embaixador José Luis Archer é uma figura histórica do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Secretário-geral da casa, sobre ele contam-se diversas histórias. Ontem ouvi uma a que achei graça.

Um dia, o chefe de Estado de um determinado país visitava Lisboa. Os serviços de protocolo de Portugal e desse Estado "negociaram", como é de regra, a lista dos agraciados com condecorações de ambos os países, que é costume trocar nessas ocasiões, envolvendo figuras com cargos em ambas as administrações. Os serviços desse país informaram que, ao secretário-geral do MNE, seria atribuído o grau de "grande oficial" de uma determinada Ordem desse país. Archer (como é designado na memória da Carreira) fez saber que não aceitaria ser condecorado abaixo de uma "grã-cruz". E, à luz dos ditâmes do protocolo, tinha toda a razão.

(Para quem não saiba, e por regra, todas as condecorações têm cinco graus, em crescendo de importância: cavaleiro/dama, oficial, comendador, grande-oficial e grã-cruz).

Archer não se pôde furtar ao jantar oficial dado na embaixada desse país em Lisboa. As condecorações não foram impostas na ocasião mas, a certo passo, as respetivas caixas foram discretamente entregues aos agraciados que estava presentes no jantar.

No dia seguinte, a embaixada telefonou para o MNE informando que, seguramente por lapso, a condecoração do secretário-geral tinha ficado esquecida sobre um móvel da residência.

A resposta da pessoa que, no gabinete de José Luís Archer, atendeu a chamada ficou nos anais: "O senhor embaixador é uma pessoa já com uma certa idade, mas nunca se esquece de nada..." 

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