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sábado, janeiro 25, 2014

Portugal-Brasil


O dia de ontem havia sido longo, entre Paris e Lisboa. Chegado do aeroporto, ao fim do dia, cansado, sentei-me num sofá e liguei a televisão. Pensava ver as notícias e logo fechar o aparelho. Estava "a dar" futebol. A preto-e-branco. Era o Portugal-Brasil de 1966.  

Foi hora e meia de grande prazer. Aquele jogo que eu vira num pequeno écran, em minha casa, em Vila Real, há 48 anos, estava ali, pela primeira vez, à minha disposição, num écran "decente", com a possibilidade de rever com calma, e em "slow motion", os lances mais interessantes ou polémicos. Em fundo, ouviam-se os comentários acertados dos "magriços" José Augusto, José Carlos e Peres, recheados com histórias curiosas de bastidores.

O jogo foi excelente, com Eusébio em grande forma, a marcar aquele que ele consideraria, para sempre, o melhor golo da sua carreira. Simões fez um grande jogo, com um (raro) golo de cabeça. Alexandre Batista, Jaime Graça e José Augusto deram um espetáculo de bom futebol. Vicente marcou um hiper-lesionado Pelé, com maestria e decência, a contrastar com Morais, que visou o génio brasileiro sem dó nem piedade (Pelé vingar-se-ia nos últimos minutos, pespegando uma forte cabeçada ao seu agressor). O grande Hilário pareceu-me algo perdido com a rapidez da ala direita brasileira, não acertando as marcações, tal como Torres, um tanto sem posição, naquele seu jeito desengonçado de jogar "sem bola". Coluna foi decaindo com o tempo, mas foi sempre um pilar de serenidade e com uma excecional medida de passe. O 4-2-4 de Otto Glória era um "harmónio" dito harmonioso, com o ataque a recuar em apoio à defesa, com os laterais a subirem à linha, em reforço do meio campo. Bons tempos em que se atacava com quatro avançados!

José Augusto explicou ontem, finalmente, uma dúvida que eu sempre tive: a razão por que Carvalho fora substituído por José Pereira na baliza da seleção - onde, diga-se, fez um jogo impecável. Ao que explicou, o "lóbi" do Belenenses dentro da equipa técnica tinha obrigado à saída do guardião sportinguista - o qual, como é sabido, não comprometera, na estreia do Mundial. A mesma pressão que, porventura, levou a que Vicente substituísse José Carlos. Este último regressaria à seleção, Carvalho não. Coisas de Belém.

Foi uma grande noite de futebol. 

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