Faltam cerca de dois anos para Cavaco Silva deixar o lugar ao seu sucessor em Belém. À direita, o debate começou já, em torno dos nomes possíveis. É um processo muito interessante, porque nele se cumulam ambições pessoais, polémica entre perfis e, muito em especial, estratégias partidárias.
Os presidentes moldam o sistema, porque a sua leitura sobre os poderes que a Constituição lhes concede vai variando, com as conjunturas e com as personalidades que titulam o cargo. Os últimos dois anos ensinaram muito ao país sobre o papel de um presidente da República. E, por essa via, ensinaram muito aos partidos, que disso retirarão as devidas conclusões.
No seu programa para reeleição como presidente dos PSD, Pedro Passos Coelho resolveu "lançar o fogo na pradaria", desenhando, com um traço carregado de intenção, o perfil do presidente que não quer vir a apoiar. Ficou óbvio que Marcelo Rebelo de Sousa era o nome visado, como o próprio reconheceu. Estará Marcelo excluído em definitivo? Com o "maverick" professor, Cristo pode sempre voltar à terra.
Na aldeia política da direita portuguesa, a zizania vai começar. O idílio Passos-Barroso pode indicar que o quase ex-presidente da Comissão tem agora uma hipótese forte para regressar à ribalta interna. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos, um dos quais não deixará de ser filmado perto do largo da Misericória. "Faites vos jeux, messieurs"!