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terça-feira, janeiro 07, 2014

O mistério

Governantes empolgados louvam a importância das exportações para a nossa economia. Em encontro com a diáspora de sucesso, o chefe do Estado sublinha a necessidade da promoção externa do país, com vista a cativar o investimento estrangeiro. Os empresários turísticos afadigam-se a explicar que Portugal deve promover a sua oferta em cada vez mais mercados. Todos entendem decisivo garantir a valorização do actual esforço financeiro português junto dos nossos parceiros e instituições.

As relações com antigas colónias degradam-se, sendo necessário sustentar persistentes esforços de diálogo, em várias dimensões, para as reconduzir à normalidade. Empresas portuguesas expandem a sua actividade em novos mercados, nos quais importa acompanhar com atenção a sua presença e a dos seus trabalhadores. A emigração portuguesa aumenta exponencialmente para vários países, em números que se equiparam aos dos anos 60 do século passado, requerendo esses novos migrantes e suas famílias apoio e aconselhamento consular.

Escritores, artistas e figuras da intelectualidade portuguesa são hoje admirados pelo mundo, sendo vital aproveitá-las como “soft power” de prestígio para recuperação da imagem do país. A CPLP, sendo a única instância multilateral onde Portugal tem uma posição nuclear, deve funcionar como alavanca para a promoção da língua portuguesa, que tem no ensino no exterior um dos veículos essenciais. Uma política para o mar, onde Portugal dispõe de vantagens comparativas à escala de uma potência, obriga a um esforço multilateral de grande envergadura.

Elenquei alguns dos muitos desafios que competem hoje à nossa diplomacia. A acção externa revela-se um dos terrenos essenciais onde Portugal pode encontrar soluções para a superação das suas debilidades, para ajudar à recuperação da sua soberania e imagem.

O “Seminário Diplomático” que ontem e hoje decorre, reunindo governo e diplomatas, vai, com toda a certeza, trazer respostas concludentes para o facto de um Ministério que já tinha uma das mais baixas dotações do Orçamento Geral do Estado (inferior a 1%), nele ter sofrido um dos maiores cortes de todos os departamentos oficiais (11,2%). Vai também, estou certo, explicar porque tem vindo a diminuir drasticamente o número de diplomatas, técnicos e funcionários administrativos do MNE, em Portugal e na nossa rede externa. Deve, seguramente, dar conta clara da racionalidade subjacente à redução e descapitalização funcional de postos consulares em tempo de maiores migrações, à diminuição dos professores junto dessas comunidades emigradas, à imensa quebra das verbas atribuídas ao Camões para a ação cultural. E permitirá, não tenho a menor dúvida, fazer entender o modo como a redução das quotizações e contribuições devidas às organizações internacionais se torna consequente com uma política externa capaz de estar à altura da defesa dos interesses do país. Estou certo que o “Seminário Diplomático” vai esclarecer tudo isso. Até lá, continuará o mistério dos Negócios Estrangeiros.

* Artigo que hoje publico no "Diário Económico"

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