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domingo, dezembro 29, 2013

El Porto

Nos restaurantes e nas lojas, os empregados já arriscam o "portuñol" sem se rirem. Eles e elas, com a decibélica sonoridade pública ibérica, comentam montras e chamam pelo "cariño" no passeio das Cardosas ou à porta dos bares da Galeria de Paris. Os espanhóis "invadem" - e fazem muito bem, só podemos felicitar-nos por isso! - o Porto nos dias de hoje, chamados pelos preços de um país em saldos de si mesmo, por uma cidade sobriamente acolhedora, com a pedra das casas e o esconso das vielas a lembrar-lhes, confortavelmente, a sua terra, em especial a Galiza, que é também uma parte de nós mesmos.

Mas a Espanha já por cá estava antes dos espanhóis chegarem. No novo e excelente Vinium, fui recebido por um espanhol e muito do menu deve bastante a "nuestros hermanos". No Hotel da Música, a loiça era Porcelanosa. Saída a porta, dou de caras com uma Zara. Entrado no Península ("por supuesto"), a primeira loja era Purificación Garcia, ao fundo o Adolfo Dominguez e a Bimba & Lola, com a Carolina Herrera, do outro lado, a reforçar a marca da "hispanidad". Atravessando a rua para o renovado mercado do Bom Sucesso, por lá temos a "tienda" do "jamón" Joselito, com o Cinco Jotas disponível e, um destes dias, aportará por ali o imbatível Maldonado.

Para mim, que gosto e admiro a Espanha, isto são só boas notícias. Espero, contudo, que as nossas empresas sejam também capazes de se colocar na primeira linha do mercado espanhol, logo que se confirmem os sinais de recuperação económica. E que os governos portugueses estejam mais atentos à necessidade de lutar contra o tropismo protecionista que os nossos únicos vizinhos terrestres não deixam regularmente de assumir, seja em obstáculos não pautais ao comércio, seja em dificuldades administrativas que por vezes inviabilizam a presença portuguesa em setores económicos espanhóis. É que, antes da crise, o mercado português representava para a Espanha mais do que a totalidade do seu comércio com todas as suas antigas colónias nas Américas. Sabiam? Os empresários portugueses sabem bem do que falo.

Então?!

Parece haver sérios problemas na organização logística no combate às consequências da intempérie? Mas é minha impressão ou anda por aí, agor...