Estamos a meio da semana. É meio-dia e trinta e cinco. Abro, por um mero acaso, a televisão: SIC Notícias, RTP Informação, TVI 24, canal A Bola e Porto Canal transmitem conferências de imprensa, em direto, dos treinadores do Sporting e do Porto. Com ar grave e compenetrado, rodeados daqueles "stickers" de publicidade retangular que lhes preenche o NIB, os dois "misters" devem estar a elaborar, com grande profundidade, sobre essa coisa magna que é a próxima jornada. Escrevo "devem" porque, em minha casa, há a regra imutável de aplicar imediatamente o "mute" sempre que na imagem apareçam a falar treinadores, jogadores ou dirigentes de futebol (Sporting incluído, bem entendido), tal como já há muito é praticado, com escassas exceções de ocasião, para as tomadas de posição de representantes de grupos parlamentares ou políticos em debate.
Já vivi em vários países: não conheço nenhum outro em que haja uma dependência tão forte das televisões face ao futebol. E, já agora, da política dos políticos.