As coisas complexas são... complexas. Ontem, no intervalo de uma reunião de trabalho numa empresa, um colega estrangeiro trouxe-nos a novidade: já há acordo no "Ecofin" sobre a questão da União bancária, uma das questões mais importantes para a estabilidade económico-financeira europeia. Todos nos congratulámos com o facto, mas eu fiquei com uma dúvida residual. Conhecendo como se constroem os "êxitos" em Bruxelas, e o modo como eles são "vendidos" à imprensa, bem como as divergências que persistiam horas antes, fiquei algo cético e entendi dever esperar para ver.
Num tempo em que todos "somos" economistas, há temas cuja especialização devemos ter a prudência e a serenidade de só abordar quando conhecemos os seus contornos essenciais. Desde há muito que procuro falar e ter opiniões apenas sobre aquilo de que julgo saber alguma coisa - o que, infelizmente, às vezes está um tanto distante daquilo que realmente sei. E isto não é falsa modéstia. "Bitaites" de mesa de café, sobre temáticas técnicas, deixaram, há muito, de ser a minha especialidade. Por isso, por exemplo, falo sempre da "união bancária" com imensa prudência e parcimónia.
Hoje de manhã, no âmbito de uma benévola "conspiração" preocupada de que faço parte, no seio da qual refletimos regularmente sobre questões relativas ao futuro económico do país, alguém que "sabe da poda" sobre a muito especializada questão da "união bancária" explicou-nos que, afinal, tinha sido falso alarme: o "acordo" obtido em Bruxelas fora de mínimos, o essencial ficou por consensualizar e tinha acabado por fazer vencimento a posição da Alemanha. Para não variar.
