Mario Draghi disse aquilo que toda a gente já sabia mas que alguns, que acham que os mercados "nasceram ontem", teimavam em não querer assumir: Portugal vai ter de passar por um programa de ajuda externa, depois da saída da "troika". Não é uma boa notícia, mas está longe de ser uma surpresa e é uma realidade que vamos ter à nossa frente. E é igualmente a prova provada que o processo de ajustamento, da forma que foi planeado ou no modo como foi desenvolvido, não atingiu aquele que era um dos seus objetivos centrais: fazer regressar o país ao mercado de financiamento internacional, a taxas comportáveis, por forma a sustentar o pagamento do nosso serviço de dívida, que tem um impacto substancial sobre o défice, e a progressiva atenuação da própria dívida que exceda os 60% do PIB. Resta-me, porém, um mistério sobre o qual, até hoje, nunca ouvi uma palavra de quem subscreveu, por parte de Portugal, o "tratado orçamental": como é que o país conseguirá cumprir as determinantes constrangentes desse mesmo tratado, não apenas em matéria de dívida mas, essencialmente, em termos de limites para o défice estrutural?
