quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Paulo Pisco


Em política, a regra de não comprar "guerras" de vitória duvidosa costuma ser aquela que a prudência aconselha. Calar reações que, à partida, se sabe poderem ir contra o "vento" dominante é a atitude mais comum e vulgar. Por isso, quando as coisas se passam de forma diferente, quando a coragem na afirmação dos princípios sobreleva a tentação de preservar a comodidade, há que dar nota disso.

Muito se falou, na imprensa, nas redes sociais e até em estranhas (ou nem por isso) declarações partidárias, do episódio que envolveu o embaixador português em França, pela circunstância de ter considerado inadequado que uma distinção proposta para uma personalidade portuguesa pelo seu homólogo francês em Lisboa, e que o governo deste acolheu, tivesse lugar fora do território que as regras - e não uma invocada exceção, que teve um contexto muito específico - mandam que se respeite, como sede natural desse tipo de atos. Neste caso, seria a embaixada francesa em Lisboa, onde a entrega das condecorações cujas propostas aí tenham tido origem regularmente tem lugar, como também deveria ter tido neste caso. Porém, sobre isto, já disse, por aqui, o que se me oferecia dizer.

O que hoje aqui quero destacar é a circunstância do deputado Paulo Pisco, que na Assembleia da República representa os portugueses na Europa, ter tido a hombridade e a coragem de vir a público expressar a sua posição sobre o assunto, nela não sendo tentado a cavalgar demagogicamente a onda fácil de diabolização do representante diplomático português, colando-se a uma leitura simplista dos factos, que foi aproveitada por alguns de forma sensacionalista e populista. Paulo Pisco, com toda a clareza, disse o que pensava, eximindo-se ao silêncio embaraçado (e cómodo, claro) de outros a quem, em princípio, seria de exigir atitude de idêntica frontalidade. Paulo Pisco, que pede meças a quem quer que dispute o seu empenhamento na defesa dos portugueses que vivem e trabalham no estrangeiro, deu com isso uma prova de caráter, muito rara em política.

2 comentários:

Antonio Cristovao disse...

Muito rara em política : uma certidão bem significativa

Anónimo disse...

Uma intervenção séria e oportuna. Seria útil mais exemplos destes, em vez de notícias inflamatórias que só colocam mal Portugal.