domingo, 7 de fevereiro de 2016

Erros, lapsos & "gaffes"

O que nos leva aos erros factuais crassos, quando intervimos na esfera pública? Descontado o desconhecimento das coisas, que às vezes também pode ocorrer e que temos de ter a humildade de assumir, há incorreções e até "gaffes" que vamos detetando (ou alguém por nós) na nossa expressão, escrita ou falada. Ontem, dei comigo a inventariar pequenos lapsos nas últimas 48 horas e a perguntar-me por que os cometi, sendo coisas tão óbvias.

Num artigo no último "Expresso", escrevi "Jeu de Pomme", em lugar do quase homófono "Jeu de Paume", quando me referi a um espaço museológico em Paris (felizmente, o "editing" do jornal estava atento). Na véspera, no programa televisivo "Olhar o Mundo", falei de mísseis balísticos "internacionais" quando queria dizer "intercontinentais". Além disso, nesse mesmo programa, e noutro ponto, troquei "democratas" por "republicanos". Num artigo publicado no sábado, no "Diário de Notícias", escrevi "There is alternative", tendo amigos comentado que deveria ter escrito "There is an alternative" - mas, neste caso específico, alimento algumas dúvidas de que não pudesse escrever como escrevi.

É irritante, mas isso é sempre a posteriori, termos de nos arrepender destes deslizes. Comentava isto com um amigo que, muito simpático, me dizia que tudo isto faz parte da vida, em particular da de quem frequenta com alguma assiduidade o espaço público, como tem sido o meu caso. Mas esse querido amigo, mais velho do que eu, não deixou de me abalar com algum realismo: "E há o fator idade, meu caro. Não te esqueças disso!". Infelizmente, esse é o único esquecimento que nunca me atingirá.

3 comentários:

Anónimo disse...

Só não se engana quem não trabalha.



Dalma disse...

Pois, Sr. Embaixador, mais cedo ou mais tarde chega a todos, é um facto e por isso devemos desvalorizar! Mas às vezes também se junta o "atrevimento " do iPad à nossa desatenção o que dá aso a essas "gaffes".

Isabel Seixas disse...

Também tem a ver com o nível de exigência de cada um e com a fixação nos preciosismos de linguagem.
Vejo diariamente colegas de trabalho a escrever e a falar portunhol, portucraneano, e por aí mas com uma linguagem não verbal e de expressão solicita e de compreensão humana que dilui perfeitamente o convencionado que às vezes segrega.