quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Corrupção

Leio na imprensa portuguesa que impendem sobre o advogado Ricardo Sá Fernandes cinco processos relacionados com a denúncia que fez de uma tentativa de corrupção, levada a cabo por um empresário nortenho, o qual pretendia evitar que o irmão do advogado dificultasse um negócio que entendia afetar o interesse público.

É triste verificar que a justiça portuguesa, pelo emaranhado do seu formalismo, pode constituir-se numa objetiva proteção a atos delituosos, ao desincentivar denúncias que poderiam preveni-los.

Conheço mal Ricardo Sá Fernandes, com quem apenas convivi, durante alguns meses, num governo de que ambos fizemos parte. Mas quero deixar-lhe aqui a minha solidariedade cívica. 

8 comentários:

(c) P.A.S. disse...

O processo do "Nódoa" é mais um dos tristes processos que ensombram e entristecem os mais patriotas entre nós.
Quando se olha para o espaço tolhido daninho da ex-feira popular da nossa cidade,sangra-nos o coração de sermos um povo de muitos Neros e incendiários.
O polvo que se esconde dentro de nós é o maior inibidor do desenvolvimento e infelizmente, uma vez mais, os partidos políticos não aprendentes da 1º República deixam-se por ele enlamear.
Para quando uma Constituição que consagre a democracia directa,em que cada eleito dê contas ao seu eleitor,em que as grandes questões sejam referendadas depois de discussão no espaço público muito ao estilo da Constituição Suíça?
Para quando os ajustes directos deixem de representar 90% dos contratos públicos?
Ontem o Barbeiro Tito dizia-se incomodado com o esbulho dos precários a verde. Que geração do poder é esta que nem dos seus filhos gosta?

(c) P.A.S. disse...

Numa mala, assim, cabe de facto muito pouco de dignidade.
Será que todos temos o nosso preço?
Não sei e bem virgem pretendo morrer, arrogante de dignidade!

Anónimo disse...

Fui colega na Faculdade de Direito de Lisboa, de Ricardo Sá Fernandes. Conheço-o. Junto-me à solidariedade cívica aqui referida.
Quanto à protecção de certos actos delituosos…por vezes não é só a Justiça, mas a própria máquina do Estado que, quando confrontada com a denúncia de ilegalidades, reage mal, cala e consente-as, protege os seus autores, e ainda decide punir quem reclama pela reposição da legalidade, ou seja, quem foi vítima delas. Às vezes, todavia, o Estado avalia mal quem pretende atingir.
P.Rufino

Gil disse...

Creio que o post é, talvez, demasiado brando em relação a este caso.
Penso que é vergonhoso que o empresário em questão se tenha visto ser-lhe concedida a possibilidade de não só macaquear a pose de vítima inocente de uma cabala montada contr a a sua impoluta pessoa como se sinta suficientemente impune para contra atacar nos próprios tribunais.
A "justiça" que anunciou aos quatro ventos que a corrupção, ainda que comprovada, pode, por meio de artfícios florentinos, saír ilesa e até impante para uma révanche, entregou o ouro ao bandido.
E fica-me uma séria e bem fundada dúvida sobre a proteção concedida ao detestável personagem foi meramente objectiva ou se os julgadores não desejaram o desfecho.

Helena Sacadura Cabral disse...

Senhor Embaixador
A corrupção e o polvo que a acompanha são das maiores mazelas que acompanham as democracias. Mas julgo dever lembrar que a comunicação social, se por um lado tem levantado o véu sobre muitos destes assuntos, também é verdade que tem fomentado uma série de julgamentos na praça pública, que afectam famílias e nem sempre correspondem à verdade.
E apesar de compreender a intenção do governo, repugna-me que se tenha criado um site para denúncias anónimas. Se a denúncia é verdadeira não deve acobertada pelo anonimato!

Helena Sacadura Cabral disse...

Ah! E concordo plenamente com (c)PAS quando refere a democracia directa. A democracia partidária é uma das fontes da corrupção...

Roi disse...

Contra a corrupção inequivocamente sim, mas em nenhuma vicissitude, em liberdade, os fins justificam os meios.
Esta situação lembra-me a frase: "Roma não paga a traidores!"

Anónimo disse...

Conheço pessoalmente do Dr. Ricardo Sá Fernandes o suficiente para saber da sua integridade e, nessa medida, partilho da indignação que suscita o proceeso em que está a ser visado.Aqui lhe deixo,também,uma palavra de solidariedade.Mas, não resisto a exprimir preocupação pelos efeitos nefastos que este, e outros casos,projectam na imagem da Justiça,algo que,por vezes,me parece ausente em muitos dos seus protagonistas
Eduardo