segunda-feira, setembro 07, 2026

Narana e o ISCSPU


Narana Coissoró nunca foi meu professor, nos anos em que andei pelo ISCSPU (Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina). Nos dias e noites atribulados do primeiro semestre de 1969, antes de consumado o afastamento de Adriano Moreira por Marcelo Caetano, pela mão prestimosa de José Hermano Saraiva, estive com ele algumas vezes em discretos gabinetes da Junqueira, em pontuais reuniões em que ele representava Adriano Moreira, na conjugação que este procurava ter com as estruturas associativas estudantis. 

Pode não ser a atitude mais elegante estar a dizer isto ao tempo da sua morte, mas Coissoró — que toda a gente designava por Narana — parecia-me um pouco oblíquo e ínvio na abordagem das coisas, embora reconheça sem dificuldade que essa minha perspetiva era seguramente tributária do meu radicalismo de então. Contudo, quem tinha maiores responsabilidades no quadro associativo dizia-me que ele foi alguém sempre plenamente confiável nos compromissos que assumiu. E isso não era coisa pouca, num tempo muito tenso e perigoso. O facto de os interesses de Adriano Moreira, num determinado momento, convergirem taticamente com os dos dirigentes associativos que nós éramos, veio a permitir a Narana Coissoró ter um papel muito importante no desfecho daqueles emocionantes mas tristes eventos.

Raras vezes voltei a cruzar-me, a partir desses dias, com Narana Coissoró. E foi sempre em ocasiões sociais e em registo ligeiro — como ligeiras foram as nossas mútuas alusões ao ISCSPU nessas brevíssimas conversas.

Achei muito interessante a evocação que Paulo Martins faz neste texto, que também me ajudou a revisitar um passado a que fiquei sempre muito ligado, embora nem sempre pelas melhores razões.

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Um americano tranquilo ...

... mas visivelmente preocupado.