Narana Coissoró nunca foi meu professor, nos anos em que andei pelo ISCSPU. Nos dias e noites atribulados desse primeiro semestre de 1969, antes de consumado o afastamento de Adriano Moreira por Marcelo Caetano, pela mão prestimosa de José Hermano Saraiva, estive com ele algumas vezes em discretos gabinetes da Junqueira, em pontuais reuniões em que ele representava Adriano Moreira, na conjugação que este procurava ter com as estruturas associativas estudantis.
Pode não ser a atitude mais elegante estar a dizer isto ao tempo da sua morte, mas Coissoró — que toda a gente designava por Narana — pareceu-me então sempre um pouco oblíquo e ínvio na abordagem das coisas, embora reconheça sem dificuldade que essa minha perspetiva devia ser tributária do meu radicalismo de então. Contudo, quem tinha maiores responsabilidades no quadro associativo dizia-me que ele foi alguém sempre plenamente confiável nos compromissos que assumiu. E isso não era coisa pouca, num tempo muito tenso e perigoso. O facto dos interesses de Adriano Moreira, num determinado momento, convergirem taticamente com os dos dirigentes associativos que nós éramos, veio a permitir a Narana Coissoró ter um papel muito importante no desfecho daqueles emocionantes mas tristes eventos.
Raras vezes voltei a cruzar-me, a partir desses dias, com Narana Coissoró. E foi sempre em ocasiões sociais e em registo ligeiro — como ligeiras foram as nossas mútuas alusões ao ISCSPU nessas brevíssimas conversas.
Achei muito interessange a evocação que Paulo Martins faz neste texto, que também me ajudou a revisitar um passado a que fiquei sempre muito ligado, embora nem sempre pelas melhores razões.

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