Anda aí uma ideia para a criação de um novo partido de esquerda. Será algo à esquerda do PS, a explorar a fragilidade crescente do PCP, a crise ainda não superada no Bloco e a indefinição do Livre. Haverá espaço?
No plano estratégico, a resposta tende para o ceticismo: a fragmentação da esquerda tem conduzido, nos últimos anos, a uma cacofonia de nichos temáticos que se digladiam pelo mesmo eleitorado, em vez de o alargarem. Mais uma sigla pode significar menos votos por cabeça, não mais votos no total.
No plano tático, porém, a lógica é outra: um novo projeto não precisa de convencer toda a esquerda, só precisa de um tema — ou de uma causa — que capte uma faixa de opinião até agora alheada e a faça sentir-se, finalmente, representada. Foi assim que nasceu o Bloco em 1999, a partir de um vazio ideológico bem definido. A questão é se existe hoje um vazio equivalente, e qual seria o tema âncora: habitação, precariedade, clima, ou um simples cansaço com os rostos e as siglas do costume.
Falta ainda a variável mais decisiva: quem lidera. Sem uma cara ou um núcleo com capital político reconhecível, nenhuma ideia sobrevive à fase das assinaturas. Logo veremos se esta tem pernas — e pessoas — para andar.
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