Por acaso, apanhei há pouco no YouTube um espetáculo de Sérgio Godinho no Coliseu, em 1985, numa altura em que eu andava por Angola. Salvo algumas melhorias nos arranjos e na estrutura do acompanhamento, o espetáculo “sobrevive” lindamente ao tempo: poderia ter sido ontem.
É esse o grande mistério de Sérgio Godinho: com 81 anos acabados de fazer e com a voz a marcar o óbvio compasso dos anos, é portador de um portefólio de canções que parece não envelhecer.
A mim, acompanhou-me durante décadas. Tenho as suas canções ligadas a todos os períodos da minha vida. É também por isso que o primeiro livro que publiquei, como homenagem grata, abre com: “Que há-de ser da longa batalha / que nos fez partir à aventura? / que será, que foi / quanto é / quanto dura?”

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