terça-feira, setembro 08, 2026

O ar da tragédia


Em 2001, eu vivia em Nova Iorque. As torres gémeas caíram em 11 de setembro desse ano, devido ao embate deliberado de dois aviões. Muita gente morreu — nos aviões e nos prédios. 

Nos dias imediatamente posteriores aos atentados, pairou uma neblina esbranquiçada sobre a cidade, manifestamente oriunda da área dos destroços. O vento espalhava-a. Recordo que tinha um cheiro levemente ácido, como saldo macabro da tragédia. Mas não recordo ter-me interrogado sobre se a qualidade do ar nova-iorquino era má. Para nós, reféns da cidade, respirar aquilo era uma inevitabilidade.

Agora, 25 anos depois, estão a ser conhecidos relatórios que revelam que se sabia já da perigosidade daquele ar. E que dizem que, não obstante isso ser sabido, as autoridades difundiram a mensagem de que não havia o menor perigo. Em especial, fica agora claro que os trabalhadores que, durante muito tempo, operaram no "ground zero", como os americanos gostam de chamar ao local dos atentados, ficaram por muito tempo expostos a um ar criticamente poluído. Chama-se a isto dolo.

Sem comentários:

Enviar um comentário

O ar da tragédia

Em 2001, eu vivia em Nova Iorque. As torres gémeas caíram em 11 de setembro desse ano, devido ao embate deliberado de dois aviões. Muita gen...