Percebo que muitos não gostem das declarações e dos "statements" da dra. Teodora Cardoso e do seu Conselho de Finanças Públicas - eu não aprecio. E acho muito bem que a senhora e a instituição sejam zurzidas por quem deles discorda e sejam expostas as suas insuficiências e contradições.
É também saudável que haja um escrutínio público sobre o governador do Banco de Portugal, cujas ações e omissões podem ter contribuído para o estado lamentável a que chegou o nosso sistema bancário. O caráter sacrossanto do regulador bancário nunca me caiu bem e, em democracia, convém que se note, temos de poder dizer o que nos vai na alma, em especial quando nos vão aos bolsos.
Até aqui tudo bem. Mas a democracia tem regras e uma delas é saber viver com as instituições, muito em especial quando o que elas fazem não está em sintonia com o que pensamos. Foi isso que dissémos ao anterior governo, quando atacou o Tribunal Constitucional.
Estou-me perfeitamente borrifando para o que pensa quem anda pelo Bloco ou pelo PC ou respetivas bordas. Mas gostava de deixar claro, à atenção do PS, que a irresponsabilidade desqualifica politicamente um partido de poder (como, noutros domínios, está a desqualificar gravemente o atual PSD), pelo que seria de uma imensa insanidade democrática apelar, nesta conjuntura, à revisão do estatuto do Conselho de Finanças Públicas ou à demissão do governador do Banco de Portugal. Mas eu estou seguro de que António Costa está bem ciente disto.
O PREC já acabou, sabiam?