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segunda-feira, março 27, 2017

O nome

Meço bem o que vou escrever.

Durante décadas, chocou-me bastante o modo como Alberto João Jardim exerceu a sua ação como presidente do Governo Regional da Madeira. Não apreciei o seu frequente autoritarismo, o modo displicente e desrespeitador como sempre tratou a oposição, as instituições nacionais e a comunicação social. A Madeira, durante o seu longo reinado, teve uma existência política com sérias e evidentes falhas na democraticidade da sua vida cívica. Um estilo de caudilhismo ao jeito sul-americano impôs-se por décadas naquela região e Alberto João Jardim foi a cara dessa pouco prestigiante excecionalidade.

Dito isto, a Madeira contemporânea, com todas as suas desigualdades e fragilidades, está hoje a anos-luz da ilha pobre e subdesenvolvida que conheci nos anos 70. Foi, a meu ver, a zona do território português que mais beneficiou em termos de "salto em frente" em múltiplos domínios, através de um discutível mas eficaz "keynesianismo", bem visível na paisagem embora, infelizmente, também, injustamente, nos bolsos de alguns ramos de apadrinhamento local - sendo que, neste caso, julgo que ninguém poderá acusar Jardim de qualquer improbidade a nível pessoal. Uma vez mais, também aqui, a cara dessa imensa mudança positiva é, indiscutivelmente, a de Alberto João Jardim.

Sou testemunha presencial do modo como soube lutar, junto do governo central mas, muito particularmente, junto das entidades europeias, pelos interesses da sua região, do seu esforço continuado e persistente, às vezes por meios menos ortodoxos, para obter tudo o que considerava necessário para a sua Madeira. Recordo, porque estive diretamente ligado a isso, o seu extraordinário trabalho que, com o apoio do governo de Lisboa, veio a permitir a fantástica obra que foi a extensão da pista do aeroporto da Madeira, uma infraestrutura-chave para desbloquear o estrangulamento do acesso turístico à ilha. Alguns corredores de Bruxelas percorremos em comum para tal.

Por isso, e sabendo bem que o que escrevo é polémico e desagradará a muitos dos meus amigos (e, infelizmente, agradará a muitos que prezo em não ter como tal), quero aqui dizer, com total frontalidade e sem ambiguidades, que me chocaria muito menos que o nome de Alberto João Jardim fosse dado ao aeroporto da Madeira, em lugar do de Cristiano Ronaldo, cujas qualidades atléticas ficariam, com certeza, muito mais adequadamente consagradas num estádio ou outra instalação desportiva.

O oportunismo turístico tem limites, que são os do bom-senso, da justiça e, claro, do ridículo.

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