Passos Coelho deixou de "dar luta" e já faz propostas construtivas ("passou-se"?). Cristas joga o "descubra as diferenças" com o passado, numa bancada lateral de Portas fechadas. O Bloco, cada vez mais "governista" (anote-se a crescente gravidade do tom das senhoras), o máximo a que chega em matéria de indignação é uma queixa feminista a Arroja ou uma arruada morna a Draghi. O PCP, empochadas as quotas sindicais nos transportes e com Nogueira no poder, é hoje um cordeiro do lobo que foi.
Neste mar de acalmação, João Soares, sem orçamento mas com superávite de verbo, decidiu agitar as águas, ameaçando com um par de bofetadas dois críticos que, no seu entender, haviam ido longe demais. Hoje em dia, na escrita, tudo é permitido, desde o insulto "ad hominem" às insinuações mais torpes. Se alguém se lembra de acionar a ERC ou os tribunais, aqui del rei que se está a limitar a liberdade de imprensa, porque a liberdade de insulto é sagrada, o desrespeito pela pessoas está protegido por uma bula eterna da justiça que nos saiu em rifa. Soares não foi por aí, foi por onde entendeu ir.
Estou de acordo com as bofetadas? Não estou. Não acho bem, não é chique. Mas, então, como reagir ao comentário sem maneiras? Como? À bengalada! A bengala é, desde o romantismo novecentista, o instrumento nobre de retribuir a agressão, de xingar o atrevido, de castigar o adversário que se excedeu. O Dâmaso foi baixo? Promete-se-lhe umas bangaladas em frente à Havaneza. Agora, pelo destinatário, é preciso fazer isso no Gambrinus? Que seja! E o momento certo até poderia ser o do acender da chama dos crepes Suzete! Com Jameson, até teria mais sainete, como antes se dizia.
