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sexta-feira, junho 26, 2015

Um poder europeu


Desde o início da crise grega, um certo poder europeu destaca-se em movimentações para ajudar a evitar a rutura entre Atenas e a União Europeia. É o mesmo país que, embora não seja vizinho da Ucrânia, tem demonstrado o seu apoio a quantos vivem hoje muito preocupados com a Rússia. Mas, não obstante a atenção que dedica aos problemas do continente, esse país não dá mostras de ter uma confiança cega no comportamento dos seus parceiros. O poder europeu de que falo tem um nome: Estados Unidos da América.

O final da Guerra Fria e o surgimento da UE com uma vocação política com expressão internacional criou a ilusão de que os EUA, de há muito os principais titulares da chave da segurança do continente europeu, poderiam vir a descansar na organização autónoma dos seus parceiros deste lado do Atlântico, no que toca à sua parcela de responsabilidade no quadro geopolítico comum. Essa ilusão acabou cedo. À problemática idiossincrasia francesa e à fragilidade crescente do Reino Unido como poder global somou-se, aos olhos de Washington, a relutância da Alemanha para assumir capacidades à altura do seu poder económico relativo. E o resto da Europa, em termos político-militares que sejam relevantes para o jogo com Moscovo, é pura paisagem.

Sejamos honestos: a UE, como força política, percebida pelos outros como capaz de se mobilizar em termos de “hard power”, não existe. Os primeiros a perceberem isso foram, aliás, os Estados do Leste europeu, para quem a adesão à UE, sendo embora importante, surgiu sempre, na escala gradativa dos seus interesses, abaixo das garantias que a NATO lhes podia trazer. E a NATO, por muito que custe aceitar, continua a ser apenas um heterónimo dos Estados Unidos.

Não é assim por acaso que são os americanos quem agora surge a reforçar militarmente os vizinhos NATO da Ucrânia.

O poder europeu dos EUA, através de gestos apaziguadores, emergiu também numa geografia pouco comum: a Grécia. É mesmo uma singular ironia ver os EUA preocupados, por precauções ligadas à segurança do sudeste do continente, com a estabilidade do euro. E quem sabe se não será Washington a chave para flexibilizar a rigidez do FMI para o compromisso final.

No auge destas movimentações americanas pelo seu território estratégico europeu, surgem finalmente as acusações de que os EUA andarão a espiar conversas telefónicas dos seus líderes - hoje Hollande, como ontem fora Merkel. Mas, caramba!, afinal não é a Europa que frequentemente se queixa de não ser ouvida pelos Estados Unidos?

(Artigo que hoje publico no "Jornal de Notícias")

Bom nome?

Acho lindamente que os dirigentes dos clubes de futebol se insultem entre si, que "cortem relações" com a imprensa e coisas assim....