Foi há poucos dias. Aquele meu amigo tinha vivido muitos anos no Brasil. Adorava o país, gostava das gentes, casara com uma brasileira, por lá tinha nascido o seu filho. O Brasil era a sua memória de anos felizes, Agora, vivendo em Portugal, seguia com atenção a situação brasileira, preocupava-se com a tensão política e social, lamentava a quebra económica do país, ansiava o momento de voltar lá, em férias.
O jantar, aqui por Lisboa, tinha portugueses e brasileiros. A certa altura, chegou um convidado vindo na véspera do outro lado do Atlântico. O meu amigo, interessado na situação política, lançou-lhe uma pergunta sobre como estavam as coisas por lá, como evoluía a apreciação da presidente. A resposta, "grossa", gelou a sala:
- Se alguém aqui é "petista", acaba já a conversa sobre política!
O meu amigo, ao contar-me esta história, disse saber que os ânimos, nos dias de hoje, andam bem exaltados em muitas cabeças brasileiras. Mas nunca pensou que as coisas pudessem chegar àquele ponto. Nunca vira nada igual.
No fundo, o meu amigo é um ingénuo. Se acaso lesse o Facebook ou os blogues, logo veria que, sobre a Grécia, as opiniões por cá não são menos sectárias.