Seguidores

Se quiser ser informado sobre os novos textos publicados no blogue, coloque o seu email

sexta-feira, junho 12, 2015

Teixeira dos Santos


Na primeira metade de 2011, Portugal entrou num tempo em que os mercados, descrentes na capacidade de sustentação económico-financeira do país, fizeram disparar os juros das obrigações portuguesas, dificultando crescentemente o refinanciamento da nossa dívida. O modo como a partilha de custos na reestruturação da dívida pública da Grécia se havia processado fora um alerta para os investidores, que viam a Europa ainda titubeante em soluções coletivas.

Porque levara longe demais, sem o esperado retorno em crescimento visível, a injeção de capitais públicos na economia, o nosso país viu-se numa espiral de crescente falta de liquidez, com redução do suporte do seu sistema bancário, também ele a sofrer paralelas dificuldades no acesso aos mercados.

Procurou-se então garantir, numa antecipação daquilo que a Europa acabaria mais tarde por criar de forma institucionalizada, um apoio das instâncias comunitárias, a troco de um programa muito estrito de reformas. Os poderes europeus partilhavam connosco a preocupação de tentar aplacar o nervosismo dos mercados – muito pela preocupação de não deixar estender essa inquietação a economias europeias cuja turbulência poderia ter consequências sistémicas na sustentação do euro. Basta recordar o que então diziam Merkel, Trichet e Barroso para se entender a determinação política que marcava esse apoio a Portugal.

Como embaixador em Paris, fui testemunha diária do nosso esforço. E recordo-me muito bem do desapontamento e incredulidade com que foi recebida a rejeição, pelo nosso parlamento, do programa que a Europa tinha apoiado e que, pelo menos por algum tempo, teria evitado – e isso é hoje uma evidência - o recurso ao resgate.

Cá dentro, as coisas acabaram por correr como correram e o governo demitiu-se. O que depois se passou, entre a obstinação de um primeiro-ministro que ia adiando o pedido de uma ajuda que seria inevitável e um ministro das Finanças que apenas antecipou, com realismo e coragem, essa inevitabilidade, já faz parte da “petite histoire” de um fim de ciclo – e um dia se falará de como essa circunstância terá debilitado a capacidade nacional na negociação do próprio “memorando de entendimento” com a Troika.
 
Teixeira dos Santos, ministro das Finanças, teve à época um comportamento marcado por um elevado sentido de responsabilidade, até hoje incompreendido por muitos. A sua distinção no último 10 de junho é um gesto que atenua a fama do Estado ser ingrato para com os seus mais dedicados servidores. 

(Artigo que hoje publico no "Jornal de Notícias")

Bom nome?

Acho lindamente que os dirigentes dos clubes de futebol se insultem entre si, que "cortem relações" com a imprensa e coisas assim....