É em dias como este, em que a notícia que faz a manchete chega num momento que já não permite mudar sequer a primeira página (com uma exceção jubilosa), que se espelha a tragédia da imprensa escrita. Os jornais de hoje (com a capa da tal exceção jubilosa) já são jornais de ontem. Mesmo o "Expresso", que, nas suas quatro décadas de existência, tantas vezes viveu das "caixas" como a que agora lhe teria dado a glória, surgirá, no seu saco, a cheirar à vésperas.
Hoje vai ser o dia de glória das televisões, do fim das folgas dos comentadores, da análise dos especialistas, das palavras medidas ao milímetro dos políticos mais responsáveis, das proclamações de fé no trabalho da justiça ("à política o que é da política, à justiça o que é da justiça", dirá algum mais inspirado), do cinismo de uns, da tática de outros, da alegria de muitos, da tristeza de outros tantos. Assim vamos.