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domingo, novembro 16, 2014

Abuso de poder

Tenho o dr. Luís Marques Mendes por uma pessoa de bem. O antigo ministro e líder do PSD é uma personalidade que fez o seu caminho político ao longo de vários anos, com mérito e inteligência. E, que eu saiba, sem "casos". O seu modelo de crónica televisiva, aos sábados na SIC, podendo não ter a graça "marota" de Marcelo Rebelo de Sousa, tem, contudo, uma regular cumplicidade com o poder que faz com que nos traga algumas novidades e a antecipação de notícias do mundo político. Podemos questionar se será legítimo que alguém que é pago para comentar o quotidiano possa ter acesso, antes do cidadão em geral, a notícias sobre o curso da governação. Mas isso é um problema que não é dele. Essa é uma questão ética do poder político que, até ver, vamos tendo.

Dito isto, há uma questão que me parece um pouco mais complicada.

Há meses, o nome do dr. Marques Mendes surgiu envolvido com uma empresa relacionada com umas "trapalhadas", relacionadas com uma ONG que causou problemas ao primeiro-ministro. Vimos então o dr. Marques Mendes usar o seu espaço televisivo para afastar as suspeitas, aliás menores e residuais, que sobre si impendiam. Não foi uma coisa óbvia e "bonita". Mas passou, pronto! 

Ontem, depois das novas "trapalhadas" dos "vistos gold", o dr. Marques Mendes aproveitou uma vez mais o seu espaço televisivo para se justificar pessoalmente, face a notícias que pareciam envolvê-lo com alguns dos acusados.

Não me parece bem! Por que diabo uma pessoa, que por uma circunstância do acaso, tem um programa de larga audiência televisiva, tem o ensejo de explicar as suas razões perante o país e um qualquer outro cidadão, nesse ou em qualquer outro processo, não tem o acesso aos mesmos meios? Trata-se ou não de uma discriminação positiva, que funciona em objetivo privilégio do dr. Marques Mendes? 

Tratando-se de uma pessoa que, repito, tenho por uma pessoa de bem, o dr. Marques Mendes seguramente concordará comigo em como o seu procedimento neste caso, bem como no que anteriormente referi, configura um abuso de poder mediático, que afeta a equidade da nossa justiça.


Entrevista ao "Público"

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