A propósito de uma tomada de posição conjunta de várias personalidades, que reclamam uma ação estatal para manter controlo português na Portugal Telecom - o que está a levar à insanidade de qualificar de "marxistas" figuras como Bagão Felix e Silva Peneda -, procura-se colar o declínio da empresa a um "excesso" de influência política, naturalmente dirigindo as baterias ao alvo mais apetecido do ano político cuja contagem degressiva agora começa: Sócrates e o último governo socialista.
Gostava só de lembrar que muitos dos ganhos de grandes empresas portuguesas foram conseguidos nos anos 90 graças à "guidance" política de outro governo socialista*, neste caso de António Guterres, que liderou a entrada em força de empresas nacionais nas privatizações no Brasil, país onde viriam a ganhar escala e a terem fortes lucros, mantendo-se algumas por lá ainda hoje, com vantagens e sem queixas. Nessa altura, não vi ninguém reclamar do "excesso" de Estado.
* Faço uma declaração de interesses: integrei esse governo
