Há pouco recebi uma carta diferente, definitiva. De um amigo, estrangeiro, que está a morrer, do outro lado do Atlântico e que decidiu, dessa forma, despedir-se dos seus amigos. Não é uma carta triste, salvo para os que a receberam. Saúda a existência que teve, as amizades que nela fez, a magnífica família de que está rodeado, o modo sereno como se preparou para o momento que aí vem. Lembra as boas coisas que se tinham atravessado na sua vida, os projetos que conseguiu concretizar, os ideais que manteve. E, sempre, as pessoas, que estiveram no centro de tudo por que viveu. Nunca me foi tão difícil responder a uma carta, mas talvez nunca o tenha feito de uma forma tão sincera, porque quem a vai ainda poder ler merece a verdade da nossa amizade. Sei que nunca teria a coragem de escrever uma carta como a que recebi, mas, por mais paradoxal que isso pareça, invejo muito a fantástica força deste amigo que nunca mais verei.
