Não fazendo naturalmente parte dos beneficiados, nem me lembrando de ninguém amigo que esteja nessas condições, devo dizer - e sei que isto não é mesmo nada popular - que estou perfeitamente de acordo com a medida hoje aprovada na Assembleia da República, relativa à reposição dos subsídios a ex-políticos, a serem concedidos sob determinadas condições.
E fico chocado que, tanto no PS como no PSD, haja quem ache que "não é oportuno" repor esta medida. É com reações destas, medrosas e demagógicas, é pagando mal aos deputados e aos ministros que, progressivamente, vamos aviltando a condição dos eleitos e dos servidores da causa pública, criando pasto para o ambiente da sua diabolização, gerando progressivamente um terreno cívico em que os melhores se afastam da política, fartos de serem agredidos no dia a dia, sujeitos a um escrutínio que às vezes raia o miserabilismo, que alguma comunicação social faz gala em agravar.
Não alinho minimamente na vaga de opinião segundo a qual a palavra "políticos" deve ter um sentido negativo e que os políticos portugueses são piores que os outros. Não acho que "são todos iguais", que são "um bando de gatunos a viver à nossa custa", uma "cambada de inúteis".
Este discurso - fácil, demagógico e populista - é que põe em causa a democracia, não é a compensação dada a cidadãos que passaram anos da sua vida ao serviço da causa pública, muitos deles perdendo anos nas suas profissões, em muitos casos podendo nelas ter uma vida bem mais confortável.