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sexta-feira, novembro 07, 2014

Tiradas

1. O ministro Pires de Lima mostrou-se ontem um pouco alterado numa sua prestação parlamentar. A doutrina divide-se quanto aos motivos do estilo adotado, mas não quero ir por aí. Depois de uma violenta diatribe contra aquilo que considerou ser a influência negativa do anterior governo na vida interna de uma empresa como a PT (onde o Estado, à época, ainda era acionista, note-se), não se coibiu de revelar que havia já passado alguns recados à administração do Novo Banco, no sentido de esta dever ser mais favorável ao financiamento das PME. Bem prega frei Tomás: faz o que ele diz e não o que ele faz.

2. Ainda o antigo BES. Ontem, convidado surpresa da Quadratura do Círculo, Fernando Ulrich "descaiu-se" e disse que, se acaso o montante a pagar pelos bancos, no quadro do fundo de resolução, em caso de uma venda menos favorável do Novo Banco, vier a ultrapassar um certo montante, as instituições bancárias deverão recorrer a uma litigância judicial. Quer isto dizer que será o montante a definir a legalidade da medida! Bonito! Esta é a resposta dada pela banca, depois de, com a outra mão, não ter hesitado em recorrer à ajuda dos fundos públicos europeus que foram postos à sua disposição, com apoio dos Estados. É bom saber-se!

3. A senhora Merkel continua a dar-se ares "patronizing" (ou devemos dizer "matronizing"?) face aos seus parceiros europeus. Depois das "ameaças" ao PM Cameron, saiu-se agora com um comentário sobre o "excesso" de licenciados que Portugal (e Espanha) terão, em detrimento de carreiras vocacionais profissionalizantes. Presume-se que os "gasterbeit" de que a Alemanha necessita, nas obras ou nas fábricas, e que ligam melhor com a imagem que têm de Portugal, não necessitem de grande qualificação (embora o nosso país esteja bem abaixo da média comunitária). O PS abespinhou-se, o ministro Crato, conhecido "amigo íntimo" das universidades, veio a terreiro defender a posição portuguesa. Onde chegou a Europa - melhor, onde chegou a Alemanha! - para termos de ver um país, numa descarada tirada para efeitos políticos internos, entrar neste tipo de demagogia. Vou medir as palavras: a Alemanha, e os seus dirigentes, estão a arranjar um grande sarilho para a sua imagem junto dos parceiros. Um dia vão arrepender-se e pode ser já tarde. Para a Europa e para eles. Espero, sinceramente, não vir a ter razão.

Entrevista ao "Público"

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