António Guterres reúne unanimidade dentro do Partido Socialista para vir a ser o candidato presidencial apoiado pelo partido (e por largos setores fora dele). Numa inevitável segunda volta, parece dificilmente batível nas urnas, seja por quem for - e Santana Lopes é, a meu ver, a carta mais provável por que Passos Coelho vai acabar por puxar, quanto mais não seja para travar as ambições do "irritante" Marcelo Rebelo de Sousa. Toda a restante esquerda, com mais ou menos entusiasmo, acabaria por alinhar atrás do atual alto-comissário das Nações Unidas para os refugiados, lugar em que Guterres se tem prestigiado.
Resta saber se a Guterres "apetece" mais Belém ou o palácio de vidro da 2ª avenida de Nova Iorque. Não estou minimamente "no segredo dos deuses", mas tenho para mim, conhecendo-o, que lhe agradaria mais o lugar internacional. Resta saber se a manutenção em aberto desta hipótese é, em termos de calendário, compatível com o "timing" ótimo para lançamento de uma candidatura presidencial. Quero com isto dizer que o eleitorado potencial de Guterres, e em particular o Partido Socialista, não pode ficar refém desta indecisão e que, prolongando-se a mesma, há que encarar tempestivamente uma outra solução, com vocação vencedora.
Neste caso, não tenho a menor dúvida: o nome de Jaime Gama é, "by far", aquele que me parece indiscutível como podendo encarnar uma candidatura presidencial de altíssima craveira. Trata-se de um dos mais qualificados e bem preparados quadros políticos de que o país hoje dispõe, tem uma grande notoriedade nacional e internacional, revela um equilíbrio e um sentido de Estado que pede meças a quem quer que seja, na nossa política doméstica.
Volto a dizer: não sei se Jaime Gama gostará desta nota, mas entendo que, se o momento assim o exigir, não poderá eximir-se a este dever, que não é só político, mas também é patriótico.
