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domingo, fevereiro 23, 2014

A outra banda

Sempre gostei muito do termo alfacinha "a outra banda". Quando ouço a expressão, utilizada a propósito do outro lado do Tejo, sinto uma imediata simpatia, porque a ligo implicitamente a quem tem uma vida mais dura, mais exigente, que nos deve merecer grande respeito. Ontem estive na "outra banda". Tinha chegado a Lisboa, cerca das seis da manhã, depois de uma ida-e-volta relâmpago, de mais de mil quilómetros, para participar num debate, lá bem no norte, em Chaves. Dormi umas horas e rumei para a "outra banda", inserido num exercício de idêntica natureza.
 
É a Europa, Portugal nela e o que se deve fazer para interessar os portugueses por essa temática que esteve no centro dessas duas conversas, com algumas dezenas de pessoas cada. Nestes dois dias, ouvi muito. Testemunhos desencantados de quem perdeu a esperança numa Europa na qual já acreditou, mas igualmente teimosas profissões de fé num projeto que, não obstante o facto de já ter tido melhores dias, nem por isso deixa de ser, para muitos, uma grande e entusiasmante aventura. E dúvidas, muitas dúvidas, algumas que somei às minhas. E porque a Europa não é uma ideia neutra, ela surge cada vez mais ligada, nos discursos comuns, às questões políticas caseiras, que quase sempre a poluem de algum desânimo.
 
Com o tempo, aprendi que o destino da ideia europeia, da sua popularidade, é isso mesmo, essa permanente dependência das agendas nacionais, das conjunturas, dos altos e baixos da vida dos povos. Para mim, contudo, e sem a menor sombra de dúvida, a Europa continua a ser o lugar geométrico onde se concentra o essencial das esperanças num futuro melhor para Portugal. Mas, às tantas!, isso talvez se fique a dever ao facto das minhas ideias também serem, muitas vezes, de uma "outra banda". 

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