Seguidores

Se quiser ser informado sobre os novos textos publicados no blogue, coloque o seu email

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

Vitória

Uma vitória do Vitória de Guimarães sobre o Benfica "dava-nos jeito", daqui a horas. Vai ser difícil, mas em futebol tudo é possível.

Num domingo de março de 1966 - nesse tempo, o futebol era sempre e só ao domingo - um animado grupo de sportinguistas de Vila Real, no automóvel do Chico Menezes, que a vida castrense haveria de alcandorar ao comando do RI13 muitos anos mais tarde, zarpou pelo Marão, a caminho de Guimarães, para ir assistir ao jogo do Vitória com o Benfica. Uma derrota em Guimarães da agremiação de Carnide facilitaria, nesse ano, a conquista do campeonato pelo Sporting. Ambas as coisas acabariam por acontecer.

Depois de uma almoçarada "das antigas" numa pensão das Taipas, lá estivemos nós - eu, o Chico e o Fernando Menezes, o Olívio Carvalho, o Mourão, o Zé Macário e um outro amigo (o carro era imenso) que tinha um primo que nos arranjou os bilhetes - no recém construído "Dom Afonso Henriques", a mostrarmo-nos mais vimaranenses que os locais, deliciados a ver Costa Pereira encaixar três secos do Vitória. Ainda me recordo da animação no regresso, com pousio para uma jantarada regada a verde tinto, no Príncipe, em Amarante, no clássico largo do Arquinho, criando lastro para as muitas curvas que nos esperavam, serra acima, até à vista de Parada de Cunhos. Nesse tempo, a Brigada de Trânsito, que por lá tinha uma daquelas casinhas amarelas no cruzamento para a Régua, era bem mais complacente... Guardo uma foto do Macário desse grupo divertido, no alto da Penha, comigo, elegante e bem novo, de fato e gravata!

Curiosamente, essa seria a mesma equipa do Benfica, dirigida por Bela Guttmann, que emprestaria a Portugal o quinteto maravilha que, meses mais tarde, nos iria emocionar no Mundial de Inglaterra. Uma equipa que já tinha tido, dias antes, uma humilhante derrota por 5-1 na Luz, frente ao Manchester United. A mesma que também eu teria o ensejo de ver perder de novo, dessa vez para o Braga, a Taça de Portugal, duas semanas após a visita a Guimarães, na única vez que fui ao velho "28 de maio" (anos mais tarde crismado "1º de maio"). É curioso constatar que, numa época que veio a consagrar a sua mítica linha ofensiva no quadro da seleção, o Benfica perdeu tudo quanto podia perder, no plano nacional e internacional. É assim o futebol.

Pois é! E porque, como acima disse, no futebol tudo é possível, uma vitória do Guimarães, logo à tarde, em terras de Carnide, vinha mesmo a calhar. Um pouco de brio, ó gentes do Vitória!

Em tempo: razão tinha eu! Como se comprovou, em futebol, tudo pode acontecer! Desta vez, o Vitória de Guimarães não fez jus ao seu nome! Mas com um golo daqueles nada havia a fazer! Nem Afonso Henriques se aguentaria...

É a vida!

Pode ser que seja apenas "wishful thinking", mas fiquei ontem com a sensação de que André Ventura já se está a ver, daqui a semana...