Na Assembleia Nacional francesa existe uma confortável maioria favorável ao presidente Sarkozy, o que facilita a adopção da diversa legislação no sentido daquilo que o Governo pretende. Ontem, porém, a maioria foi derrotada numa votação sobre o carregamento de conteúdos informáticos.Quando o debate sobre o tema se concluiu, o Governo deu-se conta de que, na sala, estavam 16 deputados da maioria e que, pela oposição, havia apenas 8 presentes. Margem confortável, portanto. Desconfiados de tanta facilidade, até por observarem frenéticas trocas de SMS por parte dos adversários na sala, alguns responsáveis governamentais deram uma volta pelo edifício, não fosse dar-se o caso de haver oposicionistas escondidos nos gabinetes mais próximos ou na biblioteca. Mas não, num raio confortável de movimentação, nenhum deputado da oposição estava à vista. E, assim, foram dadas instruções ao grupo parlamentar para solicitar a votação imediata do diploma.
Logo que foi anunciado o voto, pelo sistema de braço no ar, o que aconteceu? Saíram detrás das pesadas cortinas vermelhas que decoram um dos lados da Assembleia, onde ninguém se tinha lembrado de procurar, dez sorridentes deputados da oposição. E a proposta do Governo foi rejeitada, com gáudio para uns, para irritação óbvia de outros.
A democracia também se faz de truques.